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Trump não é a causa, é um sintoma. Barack Obama regressa ao palco político

Chip Somodevilla/Getty

Donald Trump é “uma ameaça à democracia”, disse o antigo Presidente norte-americano nesta sexta-feira, dia em que fez uma intervenção numa ação de campanha do Partido Democrático para as eleições intercalares de novembro próximo. Obama foi duro nas referências ao atual inquilino da Casa Branca, mas também deixou um alerta: “Trump está apenas a capitalizar nos ressentimentos que os políticos têm vindo a permitir de há anos para cá. Não começou com Donald Trump. Ele é sintoma, não a causa

Ana França

Ana França

Jornalista

Barack Obama, antigo presidente dos Estados Unidos voltou ao ataque esta sexta-feira, naquele que foi o primeiro discurso da sua campanha política pelos Democratas, que a 6 de novembro querem recuperar a Casa dos Representantes. E os seus conselheiros dizem que este é apenas um ponto de uma agenda que deverá ficar mais preenchida nos próximos dias.

Depois de um período em que até chegou a ser acusado de apatia, por muito raramente ter escolhido comentar a atualidade política norte-americana, Obama regressa com uma intervenção com poucas bengalas e muitas coisas chamadas pelos seus nomes. Trump foi um desses nomes.

Trump é “uma ameaça à democracia” disse o antigo Presidente. Trump “pratica uma política apoiada no ódio e no ressentimento” e "está confortável, tal como os seus aliados republicanos, com a proximidade à Rússia, com o poder crescente da supremacia branca e com a politização das agências federais”.

Sintoma de um vírus potente

Mas Trump é apenas um sintoma de um vírus potente. "Trump está apenas a capitalizar nos ressentimentos que os políticos têm vindo a permitir de há anos para cá. Não começou com Donald Trump. Ele é sintoma, não a causa", disse Obama.

No auditório da Universidade de Illinois, em Urbana, Obama disse ainda que, na sua opinião, as notícias publicadas nos últimos dias mostram que o país “saiu do seu curso normal” neste primeiro ano e meio de liderança de Donald Trump. E pediu aos eleitores para não andarem à procura de razões para não votar, até porque “o antídoto para um governo controlado por um punhado de poderosos, para um governo que cultiva a divisão entre as pessoas é um governo organizado, inclusivo e dinâmico para todos e não só para alguns”, disse o antigo presidente.

Citando o editorial do “New York Times”, em que um membro não identificado da Administração de Trump garante haver um grupo de pessoas que trabalham para parar os “piores ímpetos” do Presidente dentro da Casa Branca, Obama disse que isso não pode deixar ninguém mais descansado.

“A ideia é de que tudo vai acabar por acabar bem porque há pessoas na Casa Branca que, secretamente, não seguem as ordens do Presidente. Estou a falar a sério. Isto não é forma normal de uma democracia funcionar. Ninguém está a prestar-nos um serviço ao deixar 90% das loucuras passar e depois dizer que consegue parar outros 10% delas de acontecerem”, disse Obama.

O que Trump faz não é conservadorismo

Depois de dizer que nada do que Trump estava a fazer se poderia chamar “conservadorismo”, como aquele que Lincoln “tinha em mente quando criou o Partido Republicano”, Obama mostrou-se preocupado principalmente com aquilo a que chamou “captura” das instituições democráticas.

“Isto não é uma questão democrata ou uma questão republicana. Não deveria ser uma questão partidária colocarmos ou não pressão no procurador-geral ou no FBI para nos servirem como ferramentas de punição dos nossos oponentes. Dizer a um procurador que proteja membros do partido porque vem aí uma eleição. Isto não é hipotético. Eu não estou a inventar isto”, disse Barack Obama.

A questão da discriminação também voltou a surgir no seu discurso: "É suposto sermos contra a discriminação e é suposto como o raio levantarmos-nos clara e inequivocamente contra os simpatizantes nazis. Quão difícil pode ser dizer que os nazis não prestam?"