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Quem escreveu o artigo de opinião anónimo sobre Trump? “CNN” tem 13 suspeitas

Alex Wong/Getty Images

A “CNN” arriscou entrar num exercício de adivinhação em torno do autor do artigo de opinião anónimo publicado esta semana pelo “New York Times” e elaborou uma lista com 13 nomes (Melania Trump é um deles, “Javanka” é outro). Não há provas, apenas suspeitas baseadas “nos interesses e desinteresses, motivações e ambições” dos alegados suspeitos

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Não há nenhuma pista concreta sobre quem poderá ter escrito o artigo de opinião anónimo sobre Donald Trump e a sua administração publicado esta semana pelo “New York Times” - excepto que terá sido um “funcionário sénior da Casa Branca” - mas, ainda assim, a “CNN” arriscou entrar num exercício de adivinhação e publicar uma lista com 13 suspeitas com base “nos seus interesses e desinteresses, motivações e ambições” no interior da atual administração.

Dela fazem parte nomes óbvios e que já tinham sido avançados por outros órgãos de comunicação em exercícios semelhantes, como o de Daniel Coats, diretor da National Intelligence, a agência norte-americana de serviços secretos, e Mike Pence, vice-presidente dos EUA (ambos já negaram ter escrito o artigo), e outros nomes menos óbvios, como o de Melania Trump, cuja “tendência para enviar mensagens quando está infeliz com o marido ou com a administração dele é inconfundível”.

A estação de televisão também inclui na lista de potenciais autores do texto o nome “Javanka”, termo cunhado por Chris Cillizza, editor do canal televisivo norte-americano que assina o texto das suspeitas, para designar o casal Jared Kushner, constituído pelo genro do Presidente norte-americano, e Ivanka Trump, sua mulher e filha de Trump. “Isso seria uma verdadeira novela. Mas também não é isso que é esta administração?”, questiona o editor, adotando depois um tom mais sério para lembrar que, em tempos, Ivanka disse que “ia fazer tudo para ser ouvida pelo pai” e que poderá, entretanto, ter-se sentido frustrada por isso não ter acontecido e ter decidido, juntamente com o marido, “vingar-se”.

Além destes, fazem parte da lista os nomes de Don McGahn, conselheiro da Casa Branca que já anunciou que vai deixar o cargo este outono e que entrou várias vezes em confronto com Trump no passado, nomeadamente quando se recusou a acatar a ordem do Presidente de despedir Robert Mueller, antigo diretor do FBI que foi nomeado pelo Departamento de Justiça para liderar a investigação à ingerência russa; Jeff Sessions, procurador-geral dos EUA que “tem mais razões do que qualquer outra pessoa para ter escrito o artigo de opinião uma vez que ninguém, como ele, foi tão difamado publicamente por Trump (ainda esta semana, Sessions descobriu, através do livro do jornalista do “Washington Post” Bob Woodward, que o Presidente norte-americano se referia a ele como “atrasado mental” e que gozava com o seu sotaque sulista).

Kellyanne Conway, outra conselheira da Casa Branca “que sobrevive há muito tempo no jogo político” e cujo marido, diz Chris Cillizza, “goza com frequência no Twitter com Trump”, e John Kelly, chefe de gabinete do Presidente americano que também já discordou abertamente de Trump em mais do que uma ocasião e que se tem aguentado na Casa Branca para lá do que era esperado. “Ele encara o seu trabalho ao serviço do país como a única forma útil de ocupar o seu tempo. Será que achou útil gastar os últimos cartuchos expondo Trump desta forma?”, questiona o editor.

Dados como suspeitos são também Kirstjen Nielsen, Secretária do Departamento de Segurança Interna dos EUA e “aliada de John Kelly” e, portanto, possível autora do texto (além de ter com Donald Trump uma relação que Chris Cillizza descreve como “tensa” dado o desentendimento recente entre ambos por causa do número de imigrantes indocumentados que entraram no país), e James Mattis, secretário de Estado da Defesa que, também segundo Bob Woodward, é um dos homens mais próximos de Trump e, ao mesmo tempo e curiosamente, dos que menos confia nele, ao ponto de lhe esconder informação para evitar ter que cumprir ordens (é também dos que menos tem a perder neste momento por ser um militar condecorado que está a servir o país novamente, diz o editor da “CNN”).

A lista da "CNN" prossegue com Fiona Hill, assessora de Trump que “também teria razões para escrever o artigo e é mais cética em relação à Rússia e às intenções de Vladimir Putin do que o Presidente norte-americano (foi “claramente posta de parte” durante o encontro de Trump com Putin durante a cimeira do G20 na Alemanha, em 2017), e Nikki Haley, embaixadora norte-americana na ONU que, “sendo das favoritas de Trump, tal como Mike Pence, está ao mesmo tempo muito envolvida nos palcos internacionais” e tem, além disso, e de novo à imagem do vice-presidente dos EUA, “grandes ambições”.

Terá sido alguma destas pessoas a escrever o artigo de opinião? Não sabemos, mas no que depender de Donald Trump, o nome do autor será revelado o mais rápido possível. Depois de ter exigido, através de uma publicação no Twitter, que o “New York Times” revelasse ao governo o autor do artigo, o Presidente dos Estados Unidos disse estar sexta-feira ter chamado o procurador-geral Jeff Sessions para investigar a identidade da fonte anónima.

No artigo de opinião publicado na quarta-feira pelo “New York Times”, Donald Trump é descrito como imoral, “anti comércio e antidemocrático”, e responsável por decisões “imaturas, mal informadas e ocasionalmente imprudentes”. O texto dá conta de um movimento de “resistência”, formado por “funcionários da sua administração” e não por “figuras políticas da esquerda”, que pretende anular algumas das políticas do Presidente norte-americano consideradas mais gravosas.

Segundo o seu autor, foi já explorada a possibilidade de destituir Trump invocando a 25.ª emenda da Constituição dos EUA, um complexo mecanismo constitucional que prevê a substituição de um presidente que seja considerado “incapaz de cumprir os seus poderes e deveres”. Essa hipótese terá sido, contudo, afastada, esclarece o artigo. Foi a primeira vez que o "New York Times" publicou um artigo de opinião anónimo, tendo justificado a sua decisão com a necessidade de “dar uma perspectiva importante” aos seus leitores. “Foi a única forma de dar essa perspectiva”, explicou o jornal.

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