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Manifestantes incendeiam consulado iraniano na cidade iraquiana de Bassorá

HAIDAR MOHAMMED ALI/Getty

Ataque contra a representação diplomática do Irão, com grande influência no Iraque e em particular na província de Bassorá, assinala uma viragem nos protestos que ocorrem na região desde julho contra a corrupção dos políticos e a degradação dos serviços públicos

Centenas de manifestantes incendiaram nesta sexta-feira o consulado iraniano em Bassorá, num dia de novos protestos nesta cidade iraquiana onde nove pessoas foram mortas esta semana e destruídas instalações de instituições públicas e de partidos.

O ataque contra a representação diplomática do Irão, com grande influência no Iraque e em particular na província de Bassorá (sul), assinala uma viragem nos protestos que ocorrem na região desde julho contra a corrupção dos políticos e a degradação dos serviços públicos, apesar das riquezas petrolíferas da região.

Na noite de quinta-feira, manifestantes já tinham atacado partidos e grupos armados xiitas nesta cidade, na maioria próximo do Irão. Mas o consulado, onde foram barrados por importantes cordões de segurança, não foi atacado. No entanto, durante esta noite conseguiram entrar nas instalações do consulado, que incendiaram. Os funcionários tinham abandonado as instalações antes da chegada dos manifestantes.

Desde as legislativas de maio que o Irão tenta influenciar na formação do futuro Governo iraquiano. O bloco pró-Irão do parlamento, liderado por uma lista de antigos combatentes anti-'jihadistas', e cujas instalações em Bassorá foram na sua maioria saqueadas por manifestantes, reivindica a maioria dos deputados necessários para formar o executivo.

No entanto, o primeiro-ministro cessante, Haider al-Abadi, aliado ao populista xiita Moqtada Sadr, que se afirma como o herdeiro da independência política de Bagdad face a Washington e Teerão, também se apresentam como uma alternativa.

No sábado, e após um apelo de Moqtada Sadr, Abadi vai comparecer no parlamento para abordar o movimento social em Bassorá, agravado por uma crise sanitária que já provocou a intoxicação de 30.000 pessoas por água contaminada.

Os protestos diários iniciados na quarta-feira já provocaram nove mortos entre os manifestantes, referiu Mehdi al-Tamimi, chefe do conselho provincial dos direitos humanos, citado pela agência noticiosa France-Presse (AFP). O recolher obrigatório decretado pelas autoridades após os incidentes de quinta-feira não foi respeitado pelos manifestantes. Esta crise coincide com o atual momento de paralisia política em Bagdad.

Tamimi referiu que Bassorá "revoltou-se em resposta a uma política governamental intencional de negligência". A contestação social já provocou 24 mortos desse julho. A Amnistia Internacional denunciou o "uso excessivo da força pelas forças de segurança, incluindo balas reais", afirmando que já tinha ocorrido em julho, e exigiu o julgamento dos responsáveis.

O Iraque, assolado por anos de violência desde a invasão norte-americana de 2003, tem-se confrontado com a rebelião do grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI). Apesar das importantes receitas petrolíferas (7,7 mil milhões de dólares [6,6 mil milhões de euros] em agosto), o país regista um forte desemprego e graves falhas no abastecimento de água e eletricidade.