Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Consultor da campanha de Trump condenado a 14 dias de prisão por mentir ao FBI

Alex Wong/ Getty Images

George Papadopoulos foi condenado por ter mentido aos investigadores sobre os seus encontros com pessoas ligadas à Rússia durante a campanha presidencial de 2016

Disse ser “americano patriótico” que cometeu o erro de mentir. George Papadopoulos já tinha admitido que o que contara ao FBI era uma versão alternativa dos factos. Depois de se ter dado como culpado de ter fornecido informação incorreta à agência federal, o conselheiro da campanha presidencial de Trump foi condenado. A pena? 14 dias de prisão, 12 meses sob supervisão policial, 200 horas de trabalho comunitário e 9500 dólares (cerca de 8200 euros) de fiança.

“Espero ter uma segunda oportunidade para me redimir. Cometi um terrível erro, mas sou um bom homem”, disse Papadopoulos ao juiz em tribunal. Foi a primeira vez que apareceu publicamente desde que, em outubro do ano passado, se declarou culpado. “As pessoas apontam o dedo e riem-se entredentes, eu estou completamente deprimido. Esta investigação tem implicações globais e a verdade importa. Estou pronto para aceitar a minha sentença”, acrescentou.

Esta sexta-feira, os procuradores do conselheiro especial Robert Muller consideraram que Papadopoulos mentiu sobre as ligações com os russos durante a campanha eleitotral de 2016, que opôs Donald Trump a Hillary Clinton, com o objetivo de minimizar o seu papel como testemunha e a extensão do conhecimento da campanha sobre os seus contactos”, lê-se na sentença, citada pela Reuters. Entre esses contactos estava Joseph Mifsud, um académico, que lhe disse que a Rússia tinha muita “sujidade” em “milhares de e-mails” sobre a candidata do Partido Democrático.

A 27 de janeiro de 2017, num depoimento voluntário, o antigo conselheiro de Trump não prestou “assistência substancial às autoridades” e só se tornou claro quando foi confrontado com os e-mails trocados com Joseph Mifsud. Tendo ainda, consideram os procuradores, dificultado “a capacidade dos investigadores em procurar o académico e potencialmente detê-lo ou prendê-lo enquanto se encontrava nos Estados Unidos”.

“O crime de Papadopoulos era inquestionavelmente sério, uma vez que prestou falsos depoimentos a agentes do FBI”, lê-se também no documento. Esta é primeira condenação diretamente ligada a Donald Trump no processo liderado por Robert Mueller e que investiga a alegada interferência russa nas eleições para a Casa Branca realizadas há dois anos.

Recentemente, outros homens próximos do atual Presidente dos EUA foram dados como culpados ou deram-se como culpados de uma série de crimes. Paul Manafort, que dirigiu a campanha na corrida à Casa Branca, foi considerado culpado de oito crimes de fraude fiscal e fraude bancária, enquanto Michael Cohen, que foi advogado pessoal de Trump durante dez anos, admitiu a culpa nos crimes de fraude bancária e fiscal, bem como por violação das leis do financiamento de campanhas eleitorais. Michael Flynn, ex-conselheiro para a Segurança Nacional confessou ter mentido ao FBI, e Rick Gates, um protegido de Manafort e também envolvido na campanha para a presidência, disse ter conspirado contra os EUA e prestou falsos testemunhos ao FBI.