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Caso Skripal. Agente duplo trabalhou para os serviços de espionagem espanhóis

Funcionários do exército retiram o banco, em Salisbury, onde foram encontrados inconscientes Sergei Skripal e a sua filha Yulia, a 23 de março de 2018

WILL OLIVER/EPA

A notícia foi avançada pelo diário norte-americano “The New York Times”, que cita um alto funcionário espanhol e um escritor especializado em temas de segurança

O ex-agente russo Serguei Skripal, envenenado no Reino Unido, trabalhou nos últimos anos com os serviços secretos espanhóis com o objetivo de combater o crime organizado russo, noticia esta sexta-feira o diário norte-americano “The New York Times”.

O jornal baseia a sua notícia em informações obtidas de um alto funcionário espanhol e de um escritor especializado em temas de segurança, acrescentando que o caso Skripal tem similitudes com o de Alexander Litvinenko, que morreu em Londres em 2006, envenenado com um isótopo radioativo, "polónio 210".

Segundo o “New York Times” (NYT), as autoridades espanholas reconheceram que trabalharam com Litvinenko no combate ao crime organizado em Espanha.

O diário acrescenta que Skripal teve contactos com os serviços de espionagem da República Checa e da Estónia, segundo funcionários europeus, e agora "parece que também esteve ativo em Espanha".

Um chefe da polícia espanhola na reforma disse ao jornal que a Espanha tinha um problema com o crime organizado russo.
"Não sabíamos como funcionava" e "Skripal e Litvinenko deram-nos uma ideia mais apropriada da realidade", afirmou esse ex-responsável da polícia que não foi identificado.

Serguei Skripal, um coronel dos serviços de espionagem militares russos, conhecidos como a GRU, foi um oficial de ligação militar da Rússia em Madrid em meados dos anos 90 do século passado.

Depois de se mudar para o Reino Unido em 2010, Skripal regressou a Espanha em várias ocasiões para se reunir com funcionários do Centro Nacional de Inteligência (CNI), segundo o escritor espanhol Fernando Rueda, citado pelo jornal norte-americano.

Sergei Skripal, um britânico de origem russa com 66 anos, é um antigo agente russo que colaborou com os serviços secretos britânicos.

Juntamente com a filha Yulia, 33 anos, foram encontrados semi-inconscientes num banco de jardim, tendo-se apurado mais tarde que tinham sido envenenados com um agente neurotóxico de nível militar.

Depois de estarem hospitalizados em estado grave durante semanas, ambos tiveram alta, tal como o agente Nick Bailey, que também tinha sido contaminado.