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Skripal. Kremlin considera “inadmissível” acusar o poder russo

Mikhail Svetlov/GETTY

Moscovo volta a garantir que “quer as altas autoridades da Rússia, quer os responsáveis de um nível menos importante” não têm nada que ver com o envenenamento em Salisbury do ex-agente duplo russo Serguei Skripal e da sua filha Yulia

O Kremlin considerou esta quinta-feira "inadmissível" acusar o poder russo de responsabilidade pelo envenenamento em março em Salisbury, Inglaterra, do ex-agente duplo russo Serguei Skripal e de sua filha Yulia, após Londres ter responsabilizado diretamente o Presidente Vladimir Putin.

"Todas as acusações que sejam dirigidas ao poder russo são inadmissíveis para nós", declarou aos media o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. "Quer as altas autoridades da Rússia, quer os responsáveis de um nível menos importante (...) não têm nada que ver com o que se passou em Salisbury", sublinhou.

Londres atribuiu esta quinta-feira a responsabilidade direta do envenenamento de Serguei Skripal e de sua filha Yulia ao Presidente russo Vladimir Putin.

Na quarta-feira, a primeira-ministra britânica Theresa May tinha afirmado no parlamento que o ataque tinha sido perpetrado por dois "oficiais" dos serviços de informações militares russos (GRU).

"Já o declarámos por diversas vezes e podemos confirmá-lo uma vez mais: a Rússia nunca teve e não tem nada a ver com os acontecimentos de Salisbury. A Rússia não está minimamente implicada", insistiu Peskov.

Na quarta-feira, a polícia britânica anunciou a emissão de mandados de captura contra dois cidadãos russos, suspeitos de ligações ao envenenamento, e divulgou as suas fotos.

"Para verificar as suas identidades, para existir uma base jurídica para o fazer, necessitamos de um pedido oficial da parte britânica", recordou Dmitri Peskov. "Declarações perante o parlamento não substituem, nem podem substituir, este pedido".

Sergei Skripal, um britânico de origem russa com 66 anos, é um antigo agente russo que colaborou com os serviços secretos britânicos.

Juntamente com a filha Yulia, 33 anos, foram encontrados semi-inconscientes num banco de jardim, tendo-se apurado mais tarde que tinham sido envenenados com um agente neurotóxico de nível militar.

Depois de estarem hospitalizados em estado grave durante semanas, ambos tiveram alta, tal como o agente Nick Bailey, que também tinha sido contaminado.

Na investigação sobre o ataque aos Skripal foi incluída a investigação por homicídio em 8 de julho da britânica Dawn Sturgess, de 44 anos, da localidade vizinha de Amesbury, também foi devido aos efeitos da substância química novichok.

A mulher foi contaminada após manusear um recipiente que continha o agente neurotóxico encontrado num local público, e que também afetou, mas de forma menos grave, o companheiro Charlie Rowley, incidentes que a polícia está convencida estarem relacionados.