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Mike Pence e Mike Pompeo negam ter escrito artigo sobre Trump e acusam media de sabotar administração

Donald Trump, Mike Pence e Mike Pompeo durante uma reunião na Casa Branca, em maio de 2018

Pool/Getty Images

Além de negarem ter escrito o artigo de opinião em que se afirma que há na Casa Branca uma “resistência” interna contra as posições “irascíveis” de Donald Trump, os dois dirigentes também criticaram a sua publicação. Pompeo acusou os media de tentarem sabotar a atual administração americana e Mike Pence garantiu não ter por hábito ser “cobarde” e esconder-se atrás de palavras

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, e o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, negaram esta quinta-feira ter escrito o artigo de opinião publicado no “New York Times” em que se afirma que há na Casa Branca uma “resistência” interna contra as posições “irascíveis” do Presidente Donald Trump.

“Não é meu”, afirmou Mike Pompeo aos jornalistas em Nova Deli, após um encontro com as autoridades indianas, acrescentando que não “deveria ser uma surpresa para ninguém” que o jornal norte-americano tenha escolhido publicar tal artigo, escolha que, de resto, criticou. “Se o artigo foi, de facto, escrito por um funcionário sénior da administração, o jornal não deveria ter dado crédito às falsas alegações de alguém que está claramente descontente”, disse Pompeo, acusando ainda os meios de comunicação de tentaram sabotar a administração Trump. “É incrivelmente perturbador que estejam a fazer isso.”

Já Mike Pence, num comunicado publicado no Twitter, garantiu que é de seu hábito assinar todos os artigos de opinião e que o “New York Times” deveria “sentir vergonha, assim como a pessoa que escreveu o artigo falso, sem lógica e cobarde”. “O nosso gabinete está acima de tais atos amadores”, acrescentou. A hipótese de ter sido Pence a escrever o artigo circulou avidamente pelo Twitter, defendida por utilizadores que associaram o uso da palavra “lodestar” (traduzido à letra para “estrela polar” e usada no artigo para elogiar John McCain) aos discursos de Mike Pence.

Na quarta-feira, o referido jornal norte-americano publicou um artigo de opinião anónimo que critica abertamente Donald Trump, ali descrito como amoral, “anti comércio e antidemocrático”, e as suas decisões “imaturas, mal informadas e ocasionalmente imprudentes”. O texto dá conta de um movimento de “resistência”, formado por “funcionários da sua administração” e não por “figuras políticas da esquerda”, que pretende anular algumas das políticas do Presidente norte-americano consideradas mais gravosas.

Segundo o seu autor, foi já explorada a possibilidade de destituir Trump invocando a 25.ª emenda da Constituição dos EUA, um complexo mecanismo constitucional que prevê a substituição de um presidente que seja considerado “incapaz de cumprir os seus poderes e deveres”. Essa hipótese terá sido, contudo, afastada, esclarece o artigo. Foi a primeira vez que o "New York Times" publicou um artigo de opinião anónimo, tendo justificado a abertura deste precedente com a necessidade de “dar uma perspectiva importante” aos seus leitores. “Foi a única forma de dar essa perspectiva”, explicou o jornal.

Donald Trump reagiu com algum nervosismo à publicação do artigo e, no próprio dia em que este foi publicado, defendeu no Twitter que o nome do autor “cobarde” tem de ser revelado “imediatamente” e criticou a decisão do “New York Times” de publicar o artigo, falando na terceira pessoa. “Eles não gostam de Donald Trump e eu não gosto deles porque são pessoas muito desonestas”. Numa outra reação, durante uma reunião na Casa Branca com congressistas, o Presidente dos EUA disse: “Então o fracassado New York Times tem uma coluna anónima? Dá para acreditar? Anónima. O que quer dizer cobarde. Uma coluna cobarde”. A porta-voz da Casa Branca Sarah Sanders, por seu lado, exigiu que o autor do texto se demita.

Entre as muitas críticas tecidas no artigo da opinião, há uma que diz respeito em específico ao setor da saúde, sendo Trump nesse sentido criticado por continuar a agir “em detrimento da saúde” da população do país. “Por ela, muitas das pessoas designadas por Trump juraram fazer o possível para preservar as nossas instituições democráticas", sublinha o autor do texto, garantindo que é da vontade deste movimento de “resistência” que a Administração norte-americana “tenha êxito, que muitas das políticas tenham eco e que os EUA sejam mais seguros e prósperos”.

Além de Mike Pompeo e Mike Pence, também Daniel Coats, diretor da National Intelligence, a agência norte-americana de serviços secretos, também negou ter escrito o artigo e considerou “falsa” a especulação em torno dessa possibilidade. O nome do diretor é um dos quatro que surge num artigo publicado na quarta-feira no conservador “Weekly Standard” em que se aponta o provável autor do artigo de opinião. Os outros são Larry Kudlow, conselheiro económico de Trump que tem lutado por impor a sua visão de um comércio livre, Kevin Hassett, diretor do Conselho Nacional do Comércio da Casa Branca que, pelo cargo que desempenha e pelos assuntos de que se ocupa, “é provável que tenha escrito o artigo”, em que se fala de “desregulamentação eficaz e de uma reforma fiscal histórica”, e o já referido Mike Pompeo.

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