Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Jair Bolsonaro. Facada provocou uma lesão hepática grave

Ueslei Marcelino

Quando chegou a notícia de que o candidato à presidência do Brasil, Jair Bolsonaro, tinha sido esfaqueado, a sua família disse que os ferimentos não eram sérios. Mas, afinal, Bolsonaro teve que ser operado aos ferimentos sofridos em vários órgãos vitais, entre os quais uma lesão hepática grave. "Chegou ao hospital com uma pressão de 10/3, quase morto", disse o seu filho nas redes sociais

O candidato a presidente do Brasil Jair Bolsonaro foi esta quinta-feira esfaqueado no abdómen, em Juiz de Fora, no Estado de Minas Gerais. Bolsonaro, que defende ideias de extrema-direita, foi transportado por elementos da Polícia Federal para o Hospital Santa Casa onde foi submetido a uma intervenção cirúrgica. O agressor foi identificado pela Polícia Federal como sendo Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos. Segundo as autoridades "o agressor foi preso em flagrante" e conduzido à esquadra.

Ao início, a família de Bolsonaro disse tratar-se de um ferimento superficial mas, depois de a sua condição física ter-se deteriorado, o candidato teve que ser submetido a uma intervenção cirúrgica. O candidato sofreu uma lesão hepática grave, de acordo com a informação prestada pelo hospital, e deu entrada nos serviços de urgência com um quadro de sangramento e pressão arterial baixa. O estado de saúde, após a operação, foi considerado estável.

Imagens partilhadas no Twitter mostram o momento em que o político é atacado:

“Jair sofreu um atentado agora em Juiz de Fora, uma estocada com faca na região do abdómen. Graças a Deus, foi apenas superficial e ele passa bem. Peço que intensifiquem as orações por nós”, escreveu o filho do candidato, Flávio Bolsonaro, num comunicado.

No momento em que foi esfaqueado, Bolsonaro seguia carregado sobre os ombros de alguns apoiantes. A Polícia Federal deteve um homem suspeito de ter sido o autor do ataque ao candidato à presidência do Brasil e anunciou que vai abrir um inquérito aos acontecimentos.

Um vídeo partilhado no Twitter mostra o momento em que Bolsonaro é retirado do meio dos apoiantes e levado para o hospital:

Segundo escreve a página Metrópoles, Bolsonaro tem sido sempre acompanhado, nas suas ações de campanha, por membros da Polícia Federal, coisa a que todos os candidatos têm direito por lei. No interior de São Paulo, chegou a utilizar um colete à prova de balas e, de acordo com o Globo, envergava um no momento em que foi alvo do ataque.

Antes do ataque, o dia de campanha de Bolsonaro já se tinha mostrado agitado, com tensão entre apoiantes e adversários durante as iniciativas que realizou: uma visita a uma associação de prevenção e combate ao cancro e um almoço que decorreu num hotel de Juiz de Fora.

Os candidatos que competem com Bolsonaro nas eleições de outubro já reagiram ao ataque. Ciro Gomes, através de uma mensagem no Twitter, manifestou repúdio pela "violência como linguagem politica" e disse solidarizar-se com o seu opositor. O candidato do PDT também exigiu que "as autoridades identifiquem e punam o ou os responsáveis por esta barbárie”.

O candidato do Partido Novo, João Amoêdo, disse ser "lamentável e inaceitável" o ataque a Jair Bolsonaro e acrescentou: "Independentemente de divergências políticas, não é possível aceitar nenhum ato de violência". Amoêdo desejou que "o agressor sofra as devidas punições" enviou "votos de melhoras para o candidato”.

Guilherme Boulos, que concorre em representação do PSOL, referiu que "aviolência não se justifica, não pode tomar o lugar do debate político" e repudiou "toda e qualquer ação de ódio”. Quanto a Geraldo Alckmin afirmou esperar que a investigação ao ato "deplorável seja rápida, e a punição, exemplar”.

Fernando Haddad, candidato do PT em substituição de Lula da Silva, garantiu “repudiar totalmente qualquer ato de violência" e desejou "pronto restabelecimento a Jair Bolsonaro”.

Temer reage

O presidente brasileiro, Michel Temer, classificou como intolerável o ataque ao candidato. De acordo com a plataforma noticiosa "G1", Temer afirmou ainda que o episódio é "triste" e "lamentável". "Se Deus quiser, o candidato Bolsonaro ficará bem, temos a certeza de que não haverá nada mais grave, esperamos que não haja nada mais grave", afirmou o chefe de Estado brasileiro.

Michel Temer considerou que a situação revela algo que a sociedade tem de se consciencializar, a intolerância. "É intolerável que as pessoas falseiem dados durante a campanha eleitoral, é intolerável que nós vivamos num estado democrático de direito em que não haja possibilidade de uma campanha tranquila, de uma campanha em que as pessoas vão e apresentem os seus projetos", declarou Temer durante uma cerimónia no Palácio do Planalto.

O Presidente do Brasil disse ainda esperar que a situação "sirva de exemplo para que as pessoas que hoje estão a fazer campanha percebam que a tolerância é uma derivação da própria democracia, é a derivação do chamado estado de direito".

Capitão controverso

Desbocado, racista, homofóbico, adepto de uma intervenção militar, Jair Messias Bolsonaro é dado como favorito nas sondagens, com cerca de 20% das intenções voto, num provável cenário eleitoral que não contará com a participação de Lula da Silva.

Ficando Lula impedido de concorrer, que é a hipótese mais provável (a sua condenação criminal por corrupção em segunda instância, em princípio, será um obstáculo considerável), Bolsonaro fica em primeiro - isto, claro, admitindo que o Partido dos Trabalhadores não consegue transferir os votos do seu líder para outro candidato.

Como o Expresso já escreveu num perfil do candidato, tal como Trump, Bolsonaro defende (ou afirma defender) soluções drásticas. Entre elas que cada cidadão tenha uma arma de fogo em casa para sua proteção pessoal. Garante que se chegar ao poder acaba com as ONG e com as reservas indígenas. E propõe reforçar o poder das Forças Armadas para as ajudar a fazer frente “a tudo o que é escória no mundo”, incluindo imigrantes que fogem a situações de desespero nos seus países.