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Ex-espião Skripal. Bruxelas garante estar atenta aos desenvolvimentos do caso

Michal Fludra/NurPhoto via Getty Images

Porta-voz da Comissão Europeia afirma que “qualquer medida restritiva adicional” em relação à Rússia dependerá de uma decisão do Conselho Europeu

A Comissão Europeia disse esta quinta-feira estar a seguir com "muita atenção" os desenvolvimentos do caso Skripal, um dia depois de as autoridades britânicas terem identificado dois cidadãos russos como suspeitos de terem usado o agente neurotóxico 'novichok'.

"Nós estamos a seguir estes desenvolvimentos com muita atenção desde o início. Em março, as conclusões do Conselho Europeu foram muito claras, dando conta de que a União Europeia (UE) está ao lado do Reino Unido na procura de justiça e que está preparada para apoiar as autoridades britânicas", recordou esta quinta-feira a porta-voz do executivo comunitário responsável pela pasta dos Negócios Estrangeiros.

Na conferência de imprensa diária da instituição, em Bruxelas, Maja Kocijancic vincou que a UE defende que "o uso de armas químicas tóxicas, sob qualquer circunstância, é completamente inaceitável", e constitui "uma ameaça de segurança" para todos os cidadãos europeus.

A porta-voz da Comissão Europeia esclareceu ainda que "qualquer medida restritiva adicional" em relação à Rússia dependerá de uma decisão do Conselho Europeu (Estados-membros).

Na quarta-feira, a primeira-ministra britânica, Theresa May, revelou que Alexander Petrov e Ruslan Boshirov, os dois cidadãos russos suspeitos de terem usado o agente neurotóxico Novichok contra Sergei e Julia Skripal em março no Reino Unido, pertencem à agência de informações russa, GRU.

A Procuradoria da Coroa [Crown Prosecution Service] considera que existem provas suficientes para acusá-los de conspiração de homicídio de Sergei Skripal e tentativa de homicídio de Sergei e Yulia Skripal e do agente de polícia Nick Bailey.

Sergei Skripal, um britânico de origem russa com 66 anos, é um antigo agente russo que colaborou com os serviços secretos britânicos.

Juntamente com a filha de 33 anos, Yulia, de nacionalidade russa, foram encontrados semi-inconscientes num banco de jardim, tendo-se apurado mais tarde que tinham sido envenenados com um agente neurotóxico de nível militar.

Depois de estarem hospitalizados em estado grave durante semanas, ambos tiveram alta, tal como o agente Nick Bailey, que também tinha sido contaminado pelo agente chamado 'novichok', cuja origem as autoridades britânicas atribuíram à Rússia.

Na investigação sobre o ataque aos Skripal foi incluída a investigação por homicídio em 8 de julho da britânica Dawn Sturgess, de 44 anos, da localidade vizinha de Amesbury, que morreu na sequência dos efeitos da substância química 'novichok'.

A mulher foi contaminada após manusear um recipiente que continha o agente neurotóxico encontrado num local público, e que também afetou, mas de forma menos grave, o companheiro Charlie Rowley, incidentes que a polícia acredita estarem relacionados.

Peritos da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) confirmaram que a substância era 'novichok' e que o mesmo tipo foi usado nas duas ocasiões.

As autoridades britânicas atribuíram a Moscovo a responsabilidade pelo ataque de março, expulsando do país 23 diplomatas identificados como agentes secretos russos não declarados, à semelhança do que fizeram 28 países aliados, muitos dos quais da UE, e a NATO, ao que a Rússia respondeu com a expulsão de diplomatas ocidentais.