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Ex-chefe da diplomacia australiana queixa-se de “comportamento chocante” no Parlamento em relação às mulheres

Ryan Pierse/Getty Images

“É evidente que há uma aceitação de um nível de comportamento em Camberra que não seria tolerado em qualquer outro local de trabalho em toda a Austrália”, disse Julie Bishop. O problema intensificou-se durante o golpe partidário que afastou Malcolm Turnbull da chefia do Governo. A antiga ministra, que também estava na corrida para suceder a Turnbull, disse que os partidos têm “um problema” em manter mulheres deputadas

A ex-ministra dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Julie Bishop, acusou esta quarta-feira os seus colegas deputados de terem um “comportamento chocante” que não seria aceitável “em qualquer outro local de trabalho”. Nas últimas semanas, o Parlamento do país tem sido alvo de denúncias de intimidação de mulheres.

O problema intensificou-se durante o golpe partidário que afastou Malcolm Turnbull da chefia do Governo e levou à condução de Scott Morrison para o seu lugar. A antiga ministra, que também estava na corrida para suceder a Turnbull, disse que os partidos têm “um problema” em manter mulheres deputadas.

“Eu vi, testemunhei e experienciei um comportamento chocante no Parlamento. É evidente que há uma aceitação de um nível de comportamento em Camberra que não seria tolerado em qualquer outro local de trabalho em toda a Austrália”, queixou-se Bishop. Apesar de não ter dado exemplos, as suas críticas surgem numa altura em que deputadas alegam ter sido intimidadas por colegas masculinos durante a disputa no seio do partido de Governo.

Algumas dessas alegações foram feitas pelas deputadas Julia Banks e Lucy Gichuhi. Enquanto Banks revelou a sua intenção de abandonar o Parlamento, Gichuhi ameaçou usar o seu privilégio parlamentar para designar os alegados transgressores. “Se uma mulher incrível como Banks diz que aquele não é o ambiente certo para ela, as pessoas não deviam responder ‘faz-te forte, princesa!’ mas antes ‘basta!’”, disse Bishop, acrescentando ser inaceitável que as mulheres representem menos de um quarto dos deputados do seu partido.

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