Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

#ArrestMeToo. Jornais e população de Myanmar engrossam a voz contra a condenação de dois jornalistas da Reuters: “Quem é o próximo?”

YE AUNG THU/GETTY IMAGES

Há uma campanha online a ganhar dimensão nas redes sociais, embalada pela hashtag #ArrestMeToo (prende-me também). A primeira página do “Myanmar Times” dá a notícia a preto e branco, como se estivesse de luto. Um cartoon do mesmo diário mostra um jornal aberto, com uma faca espetada, com uma questão: “Quem é o próximo?”

A antiga Birmânia não se calou depois de dois jornalistas da Reuters terem sido condenados a sete anos de prisão por investigarem o massacre aos Rohingya, em Rakhine, no noroeste do país. Durante a semana tem havido manifestações no território de Myanmar em defesa de Wa Lone e Kyaw Soe Oo, os dois repórteres acusados de violar uma lei sobre segredos de Estado.

Há uma campanha online a ganhar dimensão nas redes sociais, embalada pela hashtag #ArrestMeToo (prendam-me também), conta o “Guardian”. A primeira página do “Myanmar Times” dá a notícia a preto e branco, como se estivesse de luto. Um cartoon do mesmo diário mostra um jornal aberto, com uma faca espetada, com uma questão: “Quem é o próximo?”

Os repórteres disseram em tribunal que dois agentes da polícia lhes entregaram documentos num restaurante momentos antes de outros agentes os prenderem. Uma testemunha da polícia confirmou que o encontro no restaurante era uma armadilha para apanhar os jornalistas e puni-los pelo trabalho de reportagem sobre o assassínio em massa de muçulmanos rohingya.

Esta condenação dos dois jornalistas, que estavam detidos desde dezembro, deu lugar ainda a um movimento de jornalistas, grupos de direitos humanos e ativistas que aponta o dedo à justiça birmanesa. O julgamento foi manipulado e representa um tiro na liberdade de imprensa, acusam.

Os protestos pacíficos tiveram lugar em Mandalay, Pyay e Yangon, a antiga capital do país.