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Venezuela. Número de pessoas a abandonar o país está em níveis “normais”, garante vice-Presidente

FEDERICO PARRA/AFP/Getty Images

As Nações Unidas sugerem que 2,3 milhões de venezuelanos fugiram à crise económica e política no país desde 2014. No entanto, Delcy Rodríguez afirma que os números têm sido inflacionados pelo que apelidou de “países inimigos” e apresentados pela ONU “como se fossem seus”. O Presidente Nicolás Maduro fala em “não mais do que 600 mil nos últimos dois anos”

A vice-Presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou no início desta semana que o número de pessoas que estão a deixar o país se encontra em níveis “normais”, enquanto 11 países da América Latina procuram uma forma de lidar com o fluxo em massa.

Números das Nações Unidas sugerem que 2,3 milhões de venezuelanos fugiram à crise económica e política no país desde 2014. No entanto, a vice-Presidente disse que os números têm sido inflacionados pelo que apelidou de “países inimigos”, acusando também a ONU de usar dados fornecidos por esses países e de os apresentar “como se fossem seus”.

Rodríguez anunciou que o Governo venezuelano já se queixou ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, sobre “funcionários individuais” que, segundo ela, têm retratado “um fluxo migratório normal como uma crise humanitária para justificar uma intervenção” militar no país.

“Não mais do que 600 mil [migrantes] nos últimos dois anos”, garante Maduro

Apesar de não especificar os “países inimigos”, a dirigente política acusou a vizinha Colômbia de ostensivamente pedir fundos internacionais para lidar com os migrantes venezuelanos na sua fronteira, quando o verdadeiro plano de Bogotá é “viver” desses donativos.

Rodríguez também não revelou quantos venezuelanos deixaram o país. Contudo, o Presidente Nicolás Maduro fala em “não mais do que 600 mil nos últimos dois anos, de acordo com dados confirmados, certificados e sérios”, ainda que também não revele a origem desses dados.

Venezuela caminha para “momento de crise” que se viveu no Mediterrâneo em 2015

As informações disponibilizadas pela ONU são muito diferentes. Além de em 2017 as Nações Unidas apontarem para números bastante mais elevados, os dados relativos a 2018 indicam que a emigração da Venezuela está a acelerar com o aprofundamento da crise económica. Cada vez mais venezuelanos dizem estar a passar fome e queixam-se de não terem acesso a medicamentos e assistência médica básica, segundo a ONU.

Ainda no final do mês passado, as Nações Unidas alertavam para a situação que se vive na Venezuela, sublinhando que o país se encaminha para o mesmo “momento de crise” de refugiados a que se assistiu no Mediterrâneo em 2015.

Países vizinhos devem continuar a acolher e proteger migrantes venezuelanos

No final de uma reunião de dois dias na capital do Equador, Quito, 11 países latino-americanos exortaram esta terça-feira as autoridades venezuelanas a emitirem passaportes e cartões de identidade válidos para quem queira deixar o país. Os países da região foram também instados a continuarem a acolher e proteger os migrantes da Venezuela.

As conclusões constam de uma declaração com 18 pontos assinada pelos 11 países mais afetados pela crise migratória, incluindo o Brasil, a Colômbia, o Equador e o Peru.