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Novo acordo de cessar-fogo assinado entre fações rivais na Líbia. Será que à terceira é de vez?

EPA/STR

Os dois outros acordos foram violados quase imediatamente depois de terem sido assinados. Desta vez, contudo, há um acordo assinado mediado pelas Nações Unidas. Pelo menos 47 pessoas foram mortas e 1800 famílias foram deslocadas por causa da violência dos últimos dias, segundo as autoridades

As fações rivais que combateram na capital da Líbia, Trípoli, na última semana assinaram um acordo de cessar-fogo. A informação foi avançada esta terça-feira pela missão de apoio das Nações Unidas no país (UNSMIL, no acrónimo em inglês). Segundo as autoridades, pelo menos 47 pessoas foram mortas e 1800 famílias foram deslocadas por causa da violência dos últimos dias.

“Sob os auspícios do SRSG [representante especial do secretário-geral] Ghassan Salamé, um acordo de cessar-fogo foi conseguido e assinado hoje [terça-feira] para acabar com todas as hostilidades, proteger os civis, salvaguardar a propriedade pública e privada e reabrir o aeroporto de Meitiga em Trípoli”, anunciou a UNSMIL no Twitter.

O aeroporto de Meitiga, o único em funcionamento na capital líbia, está fechado desde 31 de agosto devido aos confrontos.

O acordo “não tem como objetivo resolver todos os problemas de segurança da capital líbia, [antes] procura chegar a um acordo numa base mais ampla no sentido de começar a abordar essas questões”, precisou a missão da ONU no país. As conversações incluíram oficiais militares, líderes de vários grupos armados em Trípoli e à volta da capital e o Governo de Acordo Nacional, apoiado pelas Nações Unidas.

Esta é já a terceira tentativa de acabar com o surto de violência na capital, depois de dois outros acordos de cessar-fogo terem sido violados quase imediatamente. Desta vez, contudo, há um acordo assinado mediado pela ONU. O Governo apoiado internacionalmente está no poder em Trípoli mas as milícias ocupam grande parte do resto do país.

Fuga da prisão e estado de emergência declarado

No domingo, cerca de 400 homens escaparam de uma prisão perto da capital. “Os detidos conseguiram forçar a abertura das portas” para se evadirem da prisão de Ain Zara, revelou a polícia, citada pela BBC. Temendo pelas suas vidas, os guardas foram incapazes de impedir a fuga. O incidente aconteceu durante os episódios de violência armada que se registaram entre fações rivais nas instalações prisionais masculinas.

Os confrontos entre milícias em Trípoli levaram o Governo líbio a declarar o estado de emergência. Muitos dos prisioneiros detidos eram alegadamente apoiantes do antigo líder líbio Muammar Kadhafi, tendo sido considerados culpados de assassínios durante a insurreição contra o regime do coronel em 2011.