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Aufstehen. Nasceu um novo movimento de “esquerda” na Alemanha

Sahra Wagenknecht, na apresentação do movimento Aufstehen

Sean Gallup/Getty Images

O Aufstehen pretende recuperar os eleitores da classe operária que se deixaram seduzir pelo discurso xenófobo. Muitos dos cidadãos que seguiram o apelo do movimento Pegida e do partido AfD, ambos de extrema-direita, fizeram-no por se sentirem frustrados com as suas condições sociais, defende uma das cofundadoras do movimento

O Aufstehen, que significa “levantar”, foi apresentado esta terça-feira em Berlim pela líder da bancada parlamentar do partido de esquerda Die Linke, Sahra Wagenknecht, e por outros cofundadores do movimento. A nova força, que não é – pelo menos, por enquanto – um partido político, pretende recuperar os eleitores da classe operária que se deixaram seduzir pelo discurso xenófobo da extrema-direita.

Wagenknecht condenou as manifestações de neonazis da última semana em Chemnitz, no leste do país, que foram acompanhados por demonstrações de ódio racial e geraram confrontos com contramanifestantes de esquerda. No entanto, a dirigente argumentou que muitos dos cidadãos que seguiram o apelo do movimento Pegida e do partido Alternative für Deutschland (AfD, Alternativa para a Alemanha), ambos de extrema-direita, fizeram-no por se sentirem frustrados com as suas condições sociais.

“Muitas pessoas aderiram não porque odeiem estrangeiros mas porque se sentem deixadas para trás”, disse a propósito dos protestos naquela cidade do leste da Alemanha, que, quase três décadas após a reunificação, continua economicamente mais atrasada do que o território que constituía a Alemanha Ocidental. Segundo o correspondente da rádio francesa RFI em Berlim, o Aufstehen assume-se como “suprapartidário”, não tendo, por isso, um programa eleitoral.

Juntos no amor e na política

O movimento é fundado por duas das mais importantes figuras do Die Linke: a própria Wagenknecht e o seu marido, Oskar Lafontaine, que em 2005 abandonou o Partido Social-Democrata (SPD, de esquerda) por discordar das reformas neoliberais do então chanceler Gerhard Schröder. Volta a ser, de resto, esse o principal objetivo de Lafontaine e do Aufstehen: combater as “políticas neoliberais” do Governo de coligação da atual chanceler Angela Merkel.

Por outro lado, o novo movimento também se assume contra a política de fronteiras abertas e contra a concessão de acesso ilimitado de imigrantes ao mercado de trabalho alemão. No último congresso do Die Linke, em junho, Wagenknecht destacou-se por defender uma linha mais dura em relação aos migrantes.