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Alemão Manfred Weber anuncia que quer ser presidente da Comissão Europeia

EMMANUEL DUNAND/GETTY

Weber posiciona-se para a corrida à presidência da Comissão Europeia. O eurodeputado anunciou esta quarta-feira que quer ser o candidato do Partido Popular Europeu mas terá de passar pela eleição partidária em novembro, em Helsínquia

Manfred Weber é para muitos europeus um desconhecido, mas não nos corredores de Bruxelas. O atual líder do grupo parlamentar do PPE no Parlamento Europeu quer mudar de instituição após as eleições europeias de maio.

O alemão confirmou esta quarta-feira os rumores de que quer suceder a Jean-Claude Juncker na Presidência da Comissão Europeia. "Quero ser o próximo presidente da Comissão Europeia", anunciou aos jornalistas no Parlamento Europeu, em Bruxelas. Antes, na rede social Twitter, Weber tinha dito que a "Europa precisa de um novo começo e de mais democracia" e que por isso iria entrar na corrida para candidato do Partido Popular Europeu nas próximas europeias.

Aos 46 anos, Weber não tem experiência governativa no currículo, mas tem uma vasta carreira parlamentar. Há 14 anos que está no Parlamento Europeu. Vai agora completar o terceiro mandato e argumenta que essa é uma vantagem. "Vejo-me antes de mais como um representante do povo, fui eleito para o Parlamento Europeu e tenho orgulho em ser parlamentar", diz, adiantando ainda que é "um político europeu", "comprometido com a Europa" e deixa a promessa de "restabelecer a ligação entre os cidadãos e a União Europeia".

O PPE só decide em novembro e Weber é o primeiro a posicionar-se para uma corrida que ainda mal começou. Mas para conseguir um verdadeiro avanço terá de garantir o apoio do Partido Popular Europeu. Só amanhã terminam as candidaturas dentro do partido, e fala-se ainda em mais nomes, como o do ex-primeiro-ministro finlandês Alexander Stubb, o do primeiro-ministro irlandês Enda Kenny, e até do francês Michel Barnier, atual negociador europeu para o Brexit e que há cinco anos perdeu a corrida a candidato do PPE para Jean-Claude Juncker.

Se Weber conseguir o apoio do PPE avança para as eleições europeias como o "candidato principal" do partido - ou "spitzenkandidaten, como é referido na bolha europeia". E se o PPE voltar a ser o partido mais votado, então aumentam as possibilidades de vir a ser nomeado pelos líderes europeus para a presidência da Comissão Europeia. Jean-Claude Juncker foi o primeiro a estrear este processo, que é defendido pelo Parlamento Europeu e que permite conhecer antecipadamente os candidatos ao lugar de presidente da Comissão Europeia.

Mas nem todos os líderes concordam com o procedimento, como é o caso do Presidente Francês Emmanuel Macron.

PSD quer conhecer os outros candidatos

"O PSD pode apoiar esta candidatura como pode apoiar outra", diz Paulo Rangel. O eurodeputado do PSD e vice-presidente do PPE diz que é preciso "conhecer o leque de candidatos" antes de fazer uma escolha, mas adianta que "não há nenhuma linha vermelha" para excluir Weber. "Pelo contrário, as relações são as melhores", continua. "Eu acho que é uma pessoa ambiciosa, mas no bom sentido, não no sentido de querer os cargos pelos cargos", diz Rangel sobre Weber. "E é um europeísta convicto", acrescenta, assinalando como vantagem o facto de o eurodeputado alemão divergir da linha política mais dura que tem sido assumida pela CSU.

O partido alemão da Baviera, parceiro de governo de muitos anos da CDU de Angela Merkel, não tem feito a vida fácil à chanceler alemã, insistindo em posições mais duras sobretudo no que que diz respeito a travar a entrada de migrantes e refugiados. Merkel terá dado luz verde ao avanço de Weber, mas nada está garantido ainda.

Sem direito a perguntas

"Vou continuar a fortalecer a democracia na União Europeia e nas instituições", prometeu ainda Weber na comunicação feita no Parlamento Europeu aos jornalistas, que começou com um assessor do eurodeputado a anunciar "que não seriam aceites perguntas" da imprensa no final. Weber acabou depois por aceitar algumas perguntas em alemão e apenas uma em inglês.