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Luzia, Maxakalisaurus, a múmia de Sha-Amun-in-su. O que se perdeu nas chamas do Museu Nacional do Rio

MAURO PIMENTEL/Getty Images

As operações ainda não estão terminadas, mas a direção do museu acredita que 90% dos cerca de 20 milhões de peças estejam destruídos

“As nossas exposições estão fechadas em virtude do incêndio que destruiu grande parte das nossas coleções.” Apenas com uma frase, o Museu Nacional do Rio de Janeiro anuncia aquilo que parece óbvio, após o incêndio que destruiu o edifício do Palácio de São Cristóvão, que em tempos foi casa da família real portuguesa. Está dividido entre as áreas de arqueologia, paleontologia, antropologia, invertebrados e ainda em laboratórios e salas de aula.

Oficialmente, ainda não se sabe ao certo o que sobreviveu ao incêndio. Ainda estão a decorrer os trabalhos de recuperação. “O meu calculo é que apenas 10% do acervo do museu resistiu, sobre a Luzia [o fóssil de hominideo mais antigo encontrado na América Latina] é impossível dizer se sobreviveu”, disse Cristina Serejo, vice-diretora do museu, citada pela imprensa brasileira. São mais de 20 milhões de peças – só cerca de três mil expostas, as restantes guardadas. Fazendo as contas, apenas dois milhões de peças devem ter sobrevivido, uma delas foi o meteoro Bendegó (o maior alguma vez encontrado no Brasil de com mais de cinco toneladas).

Luzia: o fóssil mais antigo

Tem 12 mil anos e é fóssil de hominideo mais antigo da América Latina. Luzia, assim batizada em homenagem a Lucy (o mais antigo do mundo, com 3,2 milhões de anos ), está desaparecida. No momento do incêndio não se encontrava em exposição, estava guardada dentro de uma caixa num armário. Tal como o fóssil, também a reconstituição do crânio que o costuma acompanhar ainda não foi encontrada. Luzia destaca-se pelas suas feições, que faziam lembrar os atuais aborígenes australianos. Esta tem sido das peças com maior destaque nos meios de comunicação social

Segundo a Associated Press, o fóssil foi descoberto numas escavações em Belo Horizonte, em 1975. Esteve guardado por cerca de 20 anos e só em meados dos anos 90 do século passado os cientistas determinaram que se tratava do mais antigo fóssil alguma vez descoberto em território americano. Embora não tão antigos como a Luzia, existem crânios parecidos na Universidade de São Paulo e na Dinamarca, refere “A Folha de São Paulo”.

MAURO PIMENTEL/ Gettuy Images

Peça da Coroação”: a ligação a Portugal

Cunhada em 1822 pelo rei português e imperador brasileiro D. Pedro I, a “Peça da Coroação” é considerada uma das maiores raridades que se encontravam no Museu Nacional do Rio de Janeiro. É a primeira moeda do Brasil independente. Na época foram emitidos 64 exemplares em ouro de 22 quilates, hoje são conhecidos apenas 16 - um deles está no Museu Numismático Português, em Lisboa.

Maxakalisaurus tapai, o dinossauro

A sua reconstrução demorou dez anos e era uma das mais populares atrações do museu. O esqueleto de 13 metros do Maxakalisaurus tapai, um dinossauro herbívoro que viveu há cerca de 80 milhões de anos na América do Sul, foi encontrado em 1998 numa escavação perto de Minas Gerais. Segundo o jornal brasileiro “Estadão”, o museu tinha acabado de realizar uma petição para renovar a área em que o fóssil estava em exposição. Entre a coleção de fósseis de dinossauros há ainda pterossauros, répteis voadores.

Antigo Egito

Foi durante a liderança de D. Pedro I que as 700 peças referentes ao antigo Egito começaram a chegar ao museu. Nos dias de hoje, era a maior coleção de antiguidades egípcias na América do Sul. Grande parte, refere o “Estadão”, eram oriundas das cidades de Trebas e Abidos: estelas, estátuas, caixões e múmias, entre outras raridades.

Múmia: o presente para o rei

O sarcófago Sha- Amun-en-su foi um presente dado a D. Pedro II pelo vice-rei do Egito, o Quediva Ismail, em 1876, durante uma visita ao Médio Oriente. O caixão pintado da “Cantora de Amon” esteve no gabinete de D. Pedro II até à à proclamação da República Brasileira e só depois foi levado para completar a coleção. “O exame tomográfico realizado na múmia de Sha-Amun-in-su revelou a presença de amuletos no interior do caixão, entre eles um escaravelho-coração”, descreve o museu na sua página. É datado de 750 a.C.

Povo indígena

Outra das exposições do museu é dedicada à cultura indígena, sendo uma das peças mais importantes os corpos mumificados de um adulto e de duas crianças, refere a Associeted Press. Além disso, a coleção incluiu ainda muitos outros objetos como arcos e flechas de diferentes indígenas.

[Artigo corrigido às 16h20]