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Internacional

China promete 51 mil milhões de euros para África sem “contrapartidas políticas”

LINTAO ZHANG/AFP/Getty Images

O montante será gasto em oito iniciativas durante os próximos três anos, incluindo a construção de mais infraestruturas e a concessão de bolsas de estudo a jovens africanos, esclareceu o Presidente Xi Jinping, na abertura do Fórum de Cooperação China-África. O seu homólogo sul-africano, Cyril Ramaphosa, saudou o crescente envolvimento da China no continente, refutando que “um novo colonialismo se esteja a consolidar em África”, como apontam os críticos

A China vai disponibilizar 60 mil milhões de dólares (cerca de 51 mil milhões de euros) em assistência e empréstimos a países africanos durante os próximos três anos. O anúncio foi feito esta segunda-feira pelo Presidente Xi Jinping na abertura do Fórum de Cooperação China-África, em Pequim. Num discurso transmitido ao vivo pela televisão estatal chinesa, o Presidente esclareceu que o apoio será fornecido sob a forma de ajuda do Governo e investimento por instituições financeiras e empresas.

Por outro lado, a China também expandirá as suas importações do continente africano e facilitará as emissões de títulos das instituições financeiras africanas na China, acrescentou Xi Jinping. O país é o maior financiador bilateral de infraestruturas no continente mas os críticos alertam que os países africanos estão a entrar em níveis insustentáveis de dívida com o gigante asiático.

Citado pela BBC, o Presidente chinês reconheceu que era necessário analisar a viabilidade comercial de alguns projetos e tornar a cooperação mais sustentável. “A cooperação da China com África está claramente direcionada aos principais entraves ao desenvolvimento. Os recursos para a nossa cooperação não são para gastar em projetos fúteis mas em lugares onde eles são mais importantes”, disse aos empresários.

Sem “contrapartidas políticas agarradas”

Os 60 mil milhões serão gastos em oito iniciativas durante os próximos três anos, incluindo a construção de mais infraestruturas e a concessão de bolsas de estudo a jovens africanos, esclareceu Xi Jinping, que deixou ainda a garantia: “O investimento da China em África não vem com contrapartidas políticas agarradas”. A China também se compromete a criar um fundo de paz e segurança, continuando a fornecer assistência militar gratuita à União Africana.

O seu homólogo sul-africano, Cyril Ramaphosa, saudou o crescente envolvimento da China no continente, refutando a tese de alguns críticos relativamente a esta aproximação. Não é verdade que “um novo colonialismo se esteja a consolidar em África como os nossos detratores querem fazer-nos acreditar”, afirmou.

O montante é o equivalente ao prometido na mesma cimeira realizada em 2015 em Joanesburgo. O Presidente chinês referiu que a dívida dos empréstimos sem juros, com vencimento até ao final deste ano, seria amortizada para alguns países africanos pobres.

Todos os países africanos estão representados na cimeira, com exceção do pequeno reino da Suazilândia, que é o único país do continente que mantém laços diplomáticos com Taiwan. A China não permite que os países tenham laços oficiais com o seu Governo e com Taiwan, uma vez que considera o Estado insular como parte do seu território.