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Salvini acusa Merkel de ter subestimado as consequências da crise dos refugiados

MARCO BERTORELLO/Getty

Uma consequência desse erro de avaliação da chanceler alemã, disse o ministro do Interior italiano, foi o crescimento do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha

O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, defendeu, numa entrevista à estação televisiva Deutsche Welle, que a chanceler alemã, Angela Merkel, "subestimou o risco de choques sociais" ao manter as fronteiras abertas durante a crise dos refugiados. "Eu diria que Angela Merkel realmente subestimou o risco de choques sociais quando garantiu que havia espaço para centenas de milhares de pessoas na Alemanha", sustentou o líder da Liga, de extrema-direita.

Uma consequência desse erro de avaliação da chanceler e do seu Governo, acrescentou Salvini, foi o crescimento do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), terceira força política no Bundestag (câmara baixa do parlamento federal) e atualmente com entre 14% e 17% das intenções de voto nas sondagens.

Inquirido sobre as suas negociações com parceiros europeus tão diferentes no que respeita à questão migratória como a Alemanha e a Hungria, Salvini, que é também vice-primeiro-ministro de Itália, disse que está a tentar "obter alguma coisa positiva de todos". "[O primeiro-ministro húngaro,] Viktor Orban, fala de defender as fronteiras europeias, de proteção nos países de origem e de investimentos em África, e consigo estar de acordo com ele; Angela Merkel propõe a redistribuição dentro da Europa, e posso mesmo estar de acordo com esta posição num futuro muito próximo", explicou.

"O que temos que fazer é ajudar essas pessoas para que não tenham que fugir dos seus países. Deveríamos rapidamente investir 500 milhões em África. Penso que tanto a Alemanha como a Hungria estão certos em algumas questões", referiu.

Salvini mostrou-se ainda "muito contente" com os seus primeiros 100 dias no cargo: "Obtivemos resultados extraordinários na minha área, que é segurança, imigração e segurança pública". "É claro que tínhamos que travar a entrada de imigrantes", sublinhou, sem duvidar da sua polémica decisão de encerrar os portos italianos aos barcos que resgatam pessoas no Mediterrâneo.

O governante italiano indicou ainda que o seu executivo apresentará este outono propostas nos domínios da economia, emprego, impostos e pensões para iniciar um "novo caminho".