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Paris e Londres pedem libertação “imediata” de jornalistas birmaneses condenados

Dois jornalistas da agência noticiosa canadiano-britânica, Wa Lone, 32 anos, e Soe Oo, 28 anos, “foram condenados a sete anos de prisão apenas por terem feito o seu trabalho”

A França e o Reino Unido criticaram nesta segunda-feira a condenação a sete anos de prisão de dois jornalistas birmaneses da agência Reuters e pediram a sua libertação "imediata", na sequência de diversos apelos já emitidos por diversas instâncias internacionais.

Paris considerou a detenção dos dois jornalistas como "um sério atentado à liberdade de imprensa e ao Estado de direito" na Birmânia, reiterou o "apelo à sua libertação e ao respeito pelos seus direitos fundamentais. Pediu ainda o livre acesso dos media ao estado de Arakan [estado Rakhine]", a região do noroeste do país onde vive a minoria muçulmana rohingya perseguida, declarou hoje um porta-voz do ministério francês dos Negócios Estrangeiros.

Em paralelo, o Governo britânico apelou à libertação "imediata dos dois jornalistas, condenados hoje na Birmânia a sete anos de prisão por terem investigado um massacre de muçulmanos rohingyas pelo exército. "Em qualquer democracia, os jornalistas devem ser livres de exercer a sua profissão sem receio nem intimidação. Este veredicto é um atentado à liberdade de imprensa na Birmânia", declarou um porta-voz e Downing Street. "Pedimos a libertação imediata dos jornalistas"."É um dia sombrio para a Birmânia", insistiu Mark Field, o secretário de Estado britânico para os assuntos externos responsável pela Ásia.

Os dois jornalistas da agência noticiosa canadiano-britânica, Wa Lone, 32 anos, e Soe Oo, 28 anos, "foram condenados a sete anos de prisão apenas por terem feito o seu trabalho" e fornecido "preciosas informações sobre as abomináveis violações dos direitos humanos no estado Rakhine", sublinhou.

Em prisão preventiva desde dezembro, os dois repórteres da Reuters foram condenados por "atentados ao segredo de Estado" e por tentarem obter, segundo a acusação, documentos relacionados com as operações das forças de segurança birmanesas no estado Rakhine. Os dois homens investigavam um massacre de membros da minoria muçulmana na povoação de Inn Dinn.

Alguns dias após a sua detenção, o exército reconheceu que os soldados e aldeões budistas mataram a sangue frio prisioneiros rohingyas em 2 de setembro de 2017, o que implicou a condenação de sete militares a dez anos de prisão por este massacre.

A condenação dos dois jornalistas da Reuters já foi criticada por diversas instâncias internacionais, com a chefe da ONU para os direitos humanos e ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, que hoje assumiu as suas funções em Genebra, a exigir a libertação "imediata" dos dois repórteres birmaneses. Previamente, o representante da ONU em Myanmar, Knut Ostby, já tinha apelado à libertação dos dois homens, logo após o anúncio do veredicto.

A União Europeia, os Repórteres sem Fronteiras, para além de diversos diplomatas e ativistas, também se pronunciaram contra a condenação dos dois jornalistas.