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Internacional

Myanmar. Jornalistas da Reuters condenados a sete anos de prisão por violação de lei sobre segredos de Estado

Os jornalistas da Reuters Wa Lone e Kyaw Soe Oo

ANTONI SLODKOWSKI/REUTERS

Segundo o juiz, Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28, violaram a Lei dos Segredos Oficiais, que remonta à era colonial. “O tempo [de prisão] já cumprido pelos réus desde 12 de dezembro será tido em consideração”, precisou ainda o magistrado. “Hoje é um dia triste para Myanmar, para os jornalistas [visados] e para a imprensa em todo o mundo”, disse o editor-chefe da agência de notícias

Um juiz de Myanmar condenou esta segunda-feira dois jornalistas da agência Reuters a sete anos de prisão depois de os ter considerado culpados de violarem uma lei sobre segredos de Estado. Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28, violaram a Lei dos Segredos Oficiais, que remonta à era colonial, ao obterem documentos oficiais, revelou o juiz. “O tempo [de prisão] já cumprido pelos réus desde 12 de dezembro será tido em consideração”, precisou ainda o magistrado.

Os repórteres disseram em tribunal que dois agentes da polícia lhes entregaram documentos num restaurante momentos antes de outros agentes os prenderem. Uma testemunha da polícia confirmou que o encontro no restaurante era uma armadilha para apanhar os jornalistas e puni-los pelo trabalho de reportagem sobre o assassínio em massa de muçulmanos rohingya.

“Não tenho medo. Não fiz nada de errado. Acredito na justiça, na democracia e na liberdade”, disse Wa Lone depois de conhecer o veredito, que significa que tanto Lone como Soe Oo permanecerão atrás das grades. A mulher de Wa Lone deu à luz no mês passado o primeiro filho do casal, enquanto Soe Oo tem uma filha de três anos.

“Hoje é um dia triste para Myanmar, para os jornalistas Wa Lone e Kyaw Soe Oo e para a imprensa em todo o mundo”, disse o editor-chefe da Reuters, Stephen J Adler, em comunicado.

Militares conduziram assassínios e violações em massa com “intenção genocida”

Defensores da liberdade de imprensa, Nações Unidas, União Europeia e países como os EUA, Canadá e Austrália pediram a absolvição dos jornalistas. Os repórteres foram presos enquanto investigavam a morte de 10 rohingya e outros abusos envolvendo soldados e a polícia em Inn Din, no estado de Rakhine.

A condenação dos jornalistas surge numa altura em que sobe de tom a pressão sobre a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi na sequência da ofensiva militar sobre a minoria muçulmana em agosto do ano passado. Segundo agências da ONU, mais de 700 mil rohingya fugiram para o vizinho Bangladesh.

As autoridades de Myanmar negam as acusações, justificando as suas ações como uma operação legítima de contrainsurgência visando militantes rohingya. No entanto, após a prisão dos jornalistas da Reuters, o Exército reconheceu a morte de 10 homens e rapazes em Inn Din.

Na semana passada, uma missão de investigação da ONU concluiu que os militares conduziram assassínios e violações em massa de rohingya com “intenção genocida”, pedindo que os generais de topo fossem processados.