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E se o Reino Unido não conseguir um acordo com a UE?

OLI SCARFF/GETTY IMAGES

Um impacto “duro e caótico” na economia. Assim são descritas as consequências a curto prazo do Brexit, caso ambas as partes não cheguem a um acordo. No entanto, a longo prazo a situação deve estabilizar. Apesar das negociações já estarem na fase final – garantia do Governo britânico -, o think tank UK in a Changing EU apresentou um estudo em que especifica o que pode acontecer. Além disso, se o Reino Unido sair, os escoceses querem a independência

Empregos comprometidos, fornecimento de comida temporariamente interrompido, validade dos cartões de seguro de saúde europeu dos britânicos expirada, entrada de mercadorias no Reino Unido mais demorada, fronteira entre Irlanda do Norte e a República da Irlanda reforçada, incerteza quanto à legalidade dos contratos com a União Eueopria.

Este é o cenário desenhado pelo think tank UK in a Changing EU. Num estudo divulgado esta segunda-feira, o grupo de reflexão independente, que analisa e investiga as relações entre o Reino Unido e a União Europeia, apresentou as consequências a curto-prazo para o país caso não seja alcançado um acordo para a saída dos britânicos.

“Não deve ser assumido que as consequências, apesar de reais, vão ser necessariamente duradouras”, lê-se no relatório, citado pelo jornal “The Guardian”. Os investigadores acreditam que após o impacto inicial na economia, que “será caótico e severo”, o país conseguirá estabilizar os mercados e chegar a novos acordos com a União. Afastam ainda a possibilidade de uma total crise económica e financeira, embora o rating do crédito possa descer.

A possibilidade da saída do Reino Unido sem um acordo foi colocada em cima da mesa recentemente por Liam Fox, secretário de Estado do Comércio Internacional. No entanto, Dominic Raab, secretário de Estado com a pasta do Brexit, assegurou que o processo de negociações entre o país e a UE já se encontra praticamente finalizado, faltando concluir cerca de 20%.

O relatório sublinha ainda que reverter o acordo com a Organização Mundial do Comércio é algo que pode demorar e, consequentemente, pode provocar durante um curto espaço de tempo uma interrupção nos fornecimentos. Além disso, o mais provável é que o controlo de alfândega passe a ter custos. De forma geral, alertam os autores, também as empresas europeias vão ser afetadas – embora o efeito do Brexit seja quatro vezes mais sentido nas empresas britânicas.

O Brexit também vai influenciar a opinião pública na Escócia: 47% dos escoceses querem a independência do Reino Unido contra 43% que preferem continuar sob a alçada da Rainha Isabel II. No entanto, segundo uma sondagem divulgada este domingo, se os britânicos não deixarem a UE, os resultados invertem-se: 47% não querem a independência e 43% querem.

Há quatro anos os escoceses disseram “não” à independência, mas o assunto voltou a ser debatido após o referendo de 2016 que decidiu o novo destino do Reino Unido. Apesar do “sim” ao Brexit ter vencido, na Escócia o “não” estava em maioria.