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Catalunha. Pedro Sánchez promete referendo sobre mais autonomia

EZEQUIEL BECERRA/GETTY

Primeiro-ministro espanhol insistiu na necessidade de “manutenção do diálogo” sobre a autonomia da Catalunha

O chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, prometeu esta segunda-feira a realização de um referendo na Catalunha sobre um novo estatuto para a região, concedendo-lhe mais autonomia, mas afastou uma consulta sobre a autodeterminação.

Em entrevista à estação de rádio espanhola SER, Sánchez insistiu na necessidade de "manutenção do diálogo", assegurando que o Governo não vai abandonar as comissões bilaterais que foram "retomadas" com a Generalitat (governo regional da Catalunha), seja quais forem as posições que o presidente do governo autónomo da Catalunha, Quim Torra, venha a anunciar na terça-feira.

"A única coisa que espero é que acerte e que demonstre compromisso", disse Sánchez sublinhando que por agora não tem "em mente" uma nova aplicação do artigo 155 da Constituição espanhola que confere a gestão da autonomia regional ao Executivo nacional.

O artigo foi aplicado pelo governo do Partido Popular, de Mariano Rajoy, no final de 2017 na sequência da instabilidade política na Catalunha.

Mesmo assim, frisou que o artigo 155 "é um instrumento constitucional e legítimo para voltar a centrar a Catalunha na legalidade, no Estatuto e na Constituição" e que se se for necessário a voltar a aplicá-lo o "governo de Espanha atuará".

Para o chefe do Executivo e líder do PSOE, a votação que deve realizar-se na Catalunha "não pode ser sobre a independência ou a autodeterminação, mas sim sobre um fortalecimento do autogoverno que é o que pretende o conjunto da sociedade catalã".

Questionado diretamente sobre se o que defende pode passar pela realização de um referendo, Sánchez precisou que o objetivo de uma eventual consulta "é um referendo sobre o autogoverno, não pela autodeterminação".

Referindo-se à eventual votação de um novo estatuto, porque o atual não foi votado pela Catalunha, Sánchez disse que se trata de um problema político.

Nesse sentido, Pedro Sánchez propõe "autogoverno, Constituição e Europa" como meios para solucionar o "problema político".

O presidente da região autónoma da Catalunha, Quim Torra, disse esta segunda-feira que durante o verão trocou mensagens com Sánchez, enquanto o primeiro-ministro acrescentou que se registaram contactos telefónicos em que foram discutidos, entre outros assuntos, a cerimónia em memória das vítimas dos atentados de 17 de agosto (2017) em Barcelona e Cambrils.

Para Sánchez o outono de 2018 não pode aprofundar as feridas do outono do ano passado, mas sim "curá-las".

Neste quadro, instou Torra a dialogar com os catalães que não partilham das ideias do presidente da Generalitat frisando que o que está em questão não é a independência, mas sim a convivência.

Sendo assim, considerou que não faz sentido que o parlamento regional, em Barcelona se mantenha fechado durante o mês de setembro.

Sánchez aprovou a realização de uma reunião do Conselho de Ministros em Barcelona, entre outubro e novembro.

O governo separatista catalão, liderado então por Carles Puigdemont, organizou em 1 de outubro de 2017 um referendo sobre a autodeterminação da Catalunha que foi considerado ilegal pelo Tribunal Constitucional.

Os separatistas não aceitam essa interpretação sobre a consulta popular que consideram terem vencido com uma elevada maioria, depois de os partidos unionistas terem apelado ao seu boicote.

O Governo central decidiu intervir diretamente na região no final de outubro de 2017 e organizou eleições regionais em 23 de dezembro do mesmo ano que voltaram a ser ganhas pelos partidos independentistas que continuam a insistir na autodeterminação da região.

O Partido Socialista Operário Espanhol, agora no Governo, sempre apoiou todas as decisões relacionadas com a Catalunha tomadas pelo anterior executivo do Partido Popular (direita).

Pedro Sánchez tornou-se primeiro-ministro depois de o PSOE (Partido Socialista) ter aprovado no parlamento, em 1 de junho último, uma moção de censura contra o executivo do Partido Popular (direita) com o apoio do Unidos Podemos (extrema-esquerda) e uma série de partidos mais pequenos, entre eles os nacionalistas bascos e os independentistas catalães.