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Angela Merkel apela à mobilização dos alemães contra o ódio

PIUS UTOMI EKPEI/GETTY

Chanceler alemã manifesta-se preocupada com a mensagem de ódio contra estrangeiros divulgada em desfiles de extremistas de direita e de neonazis

A chanceler alemã, Angela Merkel, apelou esta segunda-feira à mobilização dos alemães contra o "ódio" difundido pela extrema-direita, após novos incidentes violentos no fim de semana que provocaram cerca de 20 feridos.

"Perante o que infelizmente assistimos nos últimos dias, incluindo no fim de semana, esses desfiles de extremistas de direita e de neonazis não têm nada que ver com o luto de um homem", mas destinam-se antes a "divulgar uma mensagem de ódio contra os estrangeiros, os responsáveis políticos, a polícia e a imprensa livre", disse em declarações aos media Steffen Seibert, porta-voz de Merkel, que apelou ainda à mobilização cidadã "contra a divisão do nosso país".

O porta-voz reagia a uma nova manifestação convocada no sábado por diversas formações da extrema-direita nas ruas de Chemnitz e que reuniram 8.000 pessoas para denunciar, como sucede desde 26 de agosto, a morte de um alemão de 35 anos, que não resistiu a diversos golpes de faca ao ser atacado na rua.

No âmbito deste caso, a justiça deteve um requerente de asilo iraquiano de 22 anos e um presumível cúmplice sírio.

Na sequência deste homicídio, a extrema-direita, catapultada pelo partido Alternativa para a Alemanha (AfD), primeira força de oposição no parlamento de Berlim (Bundestag), relançou as críticas contra os migrantes e as políticas de Angela Merkel sobre as migrações.

A chanceler tem sido acusada de contribuir para o aumento da insegurança no país, ao acolher em 2015 e 2016 mais de um milhão de requerentes de asilo.

No final da tarde de sábado, 18 pessoas ficaram feridas, incluindo três polícias, à margem de um desfile anti-imigrantes e de uma contramanifestação de esquerda que juntou cerca de 3.000 pessoas.

Para o final da tarde desta segunda-feira está previsto nesta cidade um concerto 'rock' contra a xenofobia sob a palavra de ordem "Somos mais numerosos".

Os habitantes desta terceira cidade do Land (estado) da Saxónia, a antiga Karl Marx Stadt, foram convidados através das redes sociais a participar numa "manifestação nas janelas", colocando faixas com palavras de ordem anti-xenofobia e que devem exibir desde as suas varandas.

No entanto, Heiko Maas, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, já considerou estas mobilizações demasiado modestas.
"Infelizmente, a nossa sociedade instalou-se num conforto do qual é necessário sair" face aos desafios de Chemnitz, disse este fim de semana o responsável social-democrata.

"É necessário deixar os nossos divãs confortáveis e tomar a palavra", acrescentou.

O chefe do governo da Saxónia, Michael Kretschmer, membro do partido do centro direita CDU de Angela Merkel e coligado no poder com os sociais-democratas, também considerou esta segunda-feira que "a maioria da população [de Chemnitz] deve exprimir-se".

A mobilização anti-imigrantes está, no entanto, a fornecer argumentos eleitorais à extrema-direita. As últimas sondagens indicam uma progressão da AfD com cerca de 16% e na terceira posição, logo atrás do Partido social-democrata (SPD), com 17% das intenções de voto.