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Ministro francês diz que Assad venceu a guerra, mas não ganhará a paz na Síria

A cidade de Idleb numa imagem de 2017

AMMAR ABDULLAH/Reuters

Jean-Yves Le Drian, ministro dos Negócios Estrangeiros de França, apelou este domingo a uma solução política na Síria intermediada pela comunidade internacional

O ministro dos Negócios Estrangeiros de França disse este domingo que o Presidente sírio, Bashar al-Assad, venceu a guerra civil de seu país, mas que não "ganhará a paz" enquanto não houver uma solução política intermediada pela comunidade internacional.

Jean-Yves Le Drian ameaçou ainda Assad com retaliação de países do ocidente caso ceda à "tentação" de usar armas químicas na iminente batalha pela província de Idleb, a última grande fortaleza da oposição.

Em declarações na rádio France-Inter, o governante afirmou que "Assad venceu a guerra". "Temos que dizer isso. Mas ele não ganhou a paz", acrescentou.

Jean-Yves Le Drian afirmou ainda que, mesmo que as forças de Assad ganhem Idleb, isso não resolverá os problemas que desencadearam a guerra há sete anos.

Sobre a posição de França, disse que irá pressionar na Assembleia-Geral da ONU para uma solução política na Síria e que está a conversar com a Rússia, a Turquia e o Irão, no sentido de usarem a sua influência com Assad para garantir negociações políticas após o fim da guerra.

Ainda sobre a Síria, o papa Francisco pediu este domingo negociações para evitar uma "catástrofe humanitária" no país, numa referência à província de Idleb (noroeste), alvo há vários dias do fogo de artilharia do regime do Presidente sírio. "O vento de guerra continua a soprar e notícias inquietantes chegam até nós sobre os riscos de uma possível catástrofe humanitária na Síria querida do nosso coração, na província de Idleb", declarou o pontífice, diante dos milhares de fiéis concentrados na Praça de São Pedro, no Vaticano, para assistir à recitação da oração do Angelus. O Papa renovou igualmente os apelos para "diálogo" e "negociação" no conflito sírio, de forma "a poupar civis".

A batalha por Idleb pode ser a última em sete anos de guerra civil. Centenas de milhares de civis da área de Idleb não têm para onde fugir.

Desde há várias semanas, o regime de Bashar al-Assad tem vindo a reforçar a presença militar nas imediações da província de Idleb, o último bastião da fação insurgente, e a lançar diariamente fogo de artilharia contra as posições rebeldes, provocando vários feridos, segundo os relatos do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Nos últimos dias, a iminência de uma grande ofensiva das forças governamentais contra a província de Idleb tem sido muito mencionada.

A província de Idleb é a última região síria que não é controlada pelas forças governamentais. Cerca de 60% da zona é controlada pelo grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS, formado por membros de um antigo ramo da Al-Qaida), sendo que o restante território é ocupado por diversos grupos rebeldes.

Uma ofensiva do regime nesta região, que faz fronteira com a Turquia, parece iminente, mas também depende de um acordo entre Moscovo, um forte aliado de Damasco, e Ancara, tradicional patrocinador dos rebeldes.
O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, grupo que monitoriza a guerra na Síria, disse hoje que pelo menos dois militares foram mortos e 11 ficaram feridos em explosões durante a noite num aeroporto militar na periferia da capital.
Segundo os meios de comunicação social apoiantes de Assad, as explosões que abalaram Damasco terão sido causadas por um ataque israelita, mas depois uma autoridade militar da Síria, que não se identificou, afirmou que as explosões foram causadas por um problema elétrico num depósito de munições.

Já anteriormente o Governo de Damasco culpou Israel por ataques no aeroporto.

Mais de 350.000 pessoas morreram e milhões foram obrigadas a deixar as suas casas desde o início da guerra civil da Síria em 2011.