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Mali escolhe este domingo o Presidente. Estão 36 mil militares nas ruas

Uma mulher caminha com uma criança pela mão, frente a um local de voto em Bamako, capital do Mali

LUC GNAGO /REUTERS

Mais de oito milhões de eleitores podem votar este domingo na segunda volta das presidenciais do Mali, um dos países mais pobres do mundo, que tem sido palco da ação de terroristas islâmicos

Mais de 8,4 milhões de eleitores do Mali podem votar este domingo na segunda das eleições presidenciais no Mali. O Presidente cessante, Ibrahim Boubacar Keïta, é considerado favorito face ao líder da oposição, Soumaila Cissé. Na primeira ronda, que se realizou a 29 de julho, os resultados apresentados pela presidente do Tribunal Constitucional, Manassa Danioko, deram o atual Chefe de Estado, Ibrahim Boubacar Keita, também conhecido por IBK, como o mais votado, com 41,70% dos votos.

Cissé, que reuniu 17,78% dos boletins válidos, contestou estes resultados, alegando que não eram "verdadeiros ou credíveis".
A oposição, que acusou o poder de utilizar o clima de insegurança no país para manipular as eleições, apresentou vários recursos contra os resultados da primeira volta, mas foram rejeitados pelo Tribunal Constitucional.

O Mali vive uma situação de insegurança e crise política desde o golpe de Estado militar de 2012, a que se seguiu uma rebelião independentista dos tuaregues no norte, apoiados por grupos jihadistas locais.

Keita e Cissé defrontam-se este domingo à semelhança do que aconteceu nas anteriores eleições, em 2013, que IBK venceu com mais de 77% dos votos.

Acusações mútuas de fraude

Ibrahim Boubacar Keïta fez declarações contra "manobras" e "encenações" de fraude eleitoral, pouco depois de a oposição ter denunciado um processo de manipulação: "Há manobras que estão em curso para fazer acreditar que estamos numa lógica de fraude", afirmou Keïta aos media após votar num bairro pobre de Bamako, situado perto da sua casa. "Como enganar quando há a garantia da estima do seu povo? Porquê tentar enganar", questionou o ainda Presidente.

Poucas horas antes, Soumaïla Cissé, ex-ministro das Finanças, de 68 anos, disse que os boletins de voto estão a "circular pelo país" para facilitar a vitória do candidato que está no poder.

Parte dos 22 candidatos que se apresentaram à primeira volta, posicionaram-se a favor de IBK, enquanto outros se mantiveram neutros e declararam não apoiar nenhum dos dois candidatos da segunda ronda. É o caso de dois dos principais opositores neste escrutínio – que ocuparam o 3º e o 4º lugar na primeira volta – e que são Aliou Diallo (8,03% dos votos), e o ex-primeiro-ministro Cheick Modibo Diarra (7,39%).

36 mil militares garantem a ordem nas eleições

Neste ato eleitoral a segurança é garantida por 36 mil militares, cerca de 20% mais que na primeira volta, a 29 de julho; recorde-se que neste dia, cerca de 250 mil eleitores não conseguiram votar no centro e no norte do país.

A comunidade internacional deverá seguir com atenção a segunda volta do ato eleitoral, mas o desfecho da votação deverá ter pouco efeito sobre os milhares de milhões de dólares de ajuda que o país recebe, de acordo com especialistas citados pela agência France-Presse.

Com cerca de cem observadores na primeira volta eleitoral, a União Europeia, o maior doador internacional do Mali, exigiu a publicação de resultados discriminados e pediu mais transparência na segunda ronda, bem como a garantia de acesso a todos os locais de votação. A diplomacia maliana instou a UE a "não atrapalhar o processo eleitoral".

Entre as contribuições diretas da Comissão Europeia e as dos Estados-Membros, os 28 pagam anualmente ao Governo maliano, para o seu bom funcionamento, cerca de 400 milhões de euros, num total de projetos em curso superiores a dois mil milhões de euros.

Os Estados Unidos da América, por sua parte, anunciaram que vão reduzir drasticamente o apoio de cerca de 87,55 milhões de euros entre 2017 e 2018, dos quais 81,5 milhões previstos para este ano, mas não precisaram qual será a verba nem os motivos para o corte.

Além da UE, o Banco Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento e o Canadá financiam diretamente o orçamento operacional do Governo do Mali, um dos países mais pobres do mundo.