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Expresso

Internacional

Outro efeito das alterações climáticas: há escassez de 'frites' na Bélgica

Com a colheita de batata reduzida em quase um terço e a redução do próprio tamanho e textura das batatas, a tradicional iguaria popular corre o risco de encarecer seriamente

Luís M. Faria

Jornalista

Entre os muitos efeitos do aquecimento global, não será o mais espetacular. Mas para os Belgas é grave. Pelo menos para aqueles que não passam sem a sua habitual dose de 'frites', ou 'frieten' (na zona flamenga) e consideram essa iguaria um elemento essencial da cultura nacional. Acontece que, por efeito das alterações climáticas, a produção de batatas está a ser gravemente afetada, o que por sua vez afeta as 'frites' - em quantidade, qualidade e preço.

"A seca combinada com o calor mata as plantas", explica Ronald Coombs, secretário geral da Belgapom, a maior empresa produtora de batatas no país." Isto é uma desvantagem, em especial para as batatas que são colhidas nesta altura. É um desastre que os agricultores não possam irrigar".

Segundo ele diz, as perdas andam pelos 30 por cento, provocando um brutal aumento de preços. Se o ano passado uma tonelada se vendia a 25 euros, agora ronda os 250-300 euros. O que não pode deixar de se refletir no preço final ao consumidor.

O problema não é só a quantidade. É que as batatas produzidas nas condições atuais tendem a ser mais pequenas e a apresentar uma textura diferente, mais rija e rugosa, o que pode tornar impossível às máquinas automáticas descascá-las e cortá-las.

O presidente de uma associação que representa os donos de bancas de venda de 'frites' disse ao site Politico ter esperança que a situação ainda se venha a compor. "É a primeira vez que os belgas rezam por mais chuva. As 'frites' (...) são mais do que um produto. São um símbolo da Bélgica".