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Internacional

Homicídios no Brasil voltam a subir. O número do último ano: 63880

Vários organismos independentes chamam a atenção para o efeito desmoralizador para a repressão policial que têm os sucessivos casos de corrupção a alto nível

Luís M. Faria

Jornalista

O Brasil tem fama de ser violento e neste caso não é apenas percepção. Segundo números agora divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, um organismo independente, o ano passado houve 63880 homicídios no país - o maior número total em qualquer país. É um acréscimo de 3,7 por cento em relação ao ano anterior, e representa uma taxa de 30.8 homicídios por cada cem mil pessoas. Mesmo o México, com as suas famosas guerras entre gangues da droga, tem uma taxa inferior: 20 por cem mil (já nas Honduras o número é 56.52, e em El Salvador 82.84). Por comparação, em Portugal a taxa ronda os 0.64.

Também no Brasil as guerras entre gangues parecem constituir um fator decisivo, somadas à fraqueza da repressão policial e à desmoralização causada por sucessivos escândalos de corrupção que têm levado à cadeia políticos de topo, incluindo o ex-presidente Lula da Silva. Num ano de eleição presidencial, esse contexto favorece a popularidade de candidatos como Jair Bolsonaro, que propõem, entre outras medidas, que os agentes policiais fiquem isentos de responsabilidade por quaisquer eventuais crimes cometidos durante operações.
Uma parte do aumento dos homicídios, curiosamente, tem a ver com as mortes às mãos da polícia - uma média de 14 por dia, mais 20 por cento do que no ano anterior. Aqui uma das causas poderá ser a decisão do presidente Michel Temer de entregar o controle da segurança pública ao exército no Rio de Janeiro.

Em termos gerais, só 10 por cento dos homicídios dão lugar a uma prisão, e apenas 4 levam a acusações formais. O sentimento de impunidade é outro fator essencial na atual epidemia de mortes criminosas. O Instituto Igarapé, especializado em questões de segurança, apela às autoridades a todos os níveis para darem prioridade a este problema.
Não foram só os homicídios que aumentaram. Também as violações conheceram uma subida preocupante. O seu número oficial passou para 60018, um aumento de 8 por cento em relação a 2016.