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Internacional

Monge que obtinha dinheiro com falsas promessas condenado a 114 anos de cadeia

Num país onde a religião faz parte da vida diária, os escândalos têm-se sucedido, e a junta militar reforça a sua legitimidade aplicando medidas duras

Luís M. Faria

Jornalista

114 anos de cadeia. É a pena a que acaba de ser condenado Luang Puu Nen Kham, aliás Wirapol Sukphol, nome sob o qual o chefe de um mosteiro tailandês gerou um culto em torno de si mesmo e conseguiu extrair pelo menos 730 mil euros a 29 pessoas de boa fé (estes são os queixosos oficiais no tribunal; haverá muitos mais).

O pretexto era a construção da maior estátua de Buda em todo o mundo, uma tarefa que supostamente lhe teria sido encomenda em sonho por uma divindade do hinduísmo. A estátua devia ser em esmeralda italiana e ter 199 pilares a cobri-la. O monge também se propunha construir um templo e ainda outras coisas.

Não construiu nada do que prometeu. Mas gastou bastante dinheiro, como se viu pela fotografia dele que apareceu em 2013: com óculos Ray-Ban e uma mala Louis Vuitton cheia de dólares, a bordo de um jato privado.

A descoberta de que o alegado homem santo afinal era um vigarista não demorou a provocar reações e Sukphol fugiu para os Estados Unidos. Daí seria extraditado de volta para a Tailândia, onde o julgaram. Numa altura em que a junta militar assume uma pose de ataque à corrupção, incluindo a de muitos religiosos no país, o desfecho do seu caso tinha de ser exemplar.

O saldo final são 42 crimes de fraude e lavagem de dinheiro. Além da pena de prisão, o tribunal ordenou-lhe que devolva o que roubou aos lesados. Segundo a lei tailandesa, ele não deverá cumprir mais de 20 anos. Mas já em outubro vai ser decidida outra acusação que pende sobre ele, de abuso de uma rapariga menor. Agora com 39 anos, o monge poderá não sair da prisão antes dos 60.