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Chineses muçulmanos protestam contra demolição de mesquita. “Não entendemos porque é que isto está a acontecer”

Membros da minoria étnica muçulmana Hui rezam em Pequim, na China.

Kevin Frayer

Os planos de demolição da mesquita no noroeste da China são anunciados numa altura em que o Partido Comunista Chinês está a ser acusado de restringir a liberdade religiosa e aquilo que considera ser “ideias radicais” defendidas pelos mais de 20 milhões de muçulmanos chineses

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Ma Sengming, um chinês muçulmano, resumiu assim o que ia na alma das pessoas que, como ele, participavam nos protestos contra a demolição da mesquita do noroeste da China. “Estamos em grande sofrimento. Não entendemos porque é que isto está a acontecer.”

O homem de 72 anos, da minoria étnica muçulmana Hui, referia-se à demolição de uma mesquita na cidade de Weizhou, que deverá acontecer em breve, segundo um anúncio do Governo. Os protestos começaram na quinta-feira de manhã e prolongaram-se até esta sexta-feira.

Os planos de demolição da mesquita são anunciados numa altura em que o Partido Comunista Chinês (PPC), partido no poder e oficialmente ateísta, está a ser acusado de restringir a liberdade religiosa e aquilo que considera ser “ideias radicais” defendidas pelos mais de 20 milhões de muçulmanos chineses. Já assumiu publicamente que pretende “achinesar” todas as religiões no país - o que incluirá a remoção de quaisquer símbolos religiosos - e fazer com que os fiéis tenham como prioridade a adesão e lealdade ao partido.

Numa visita em 2016 à região de Ningxia, no noroeste do país, o Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que as autoridades locais devem “guiar as religiões de modo a que estas se adaptem à sociedade socialista” e que devem ser feitos “mais esforços” para que as figuras religiosas e fiéis “respeitem e obedeçam às leis”. Nos últimos tempos, vários cúpulas e símbolos muçulmanos foram removidos de mesquitas, tendo sido também encerradas igrejas cristãs e apreendidos exemplares da Bíblia. Dezenas de crianças tibetanas foram transferidas de templos budistas para escolas.

A mesquita de Weizhou foi construída há cerca de um ano com honras do governo - um secretário do PCC terá, aliás, feito um discurso no local quando começou a construção - daí que a comunidade Hui não entenda por que razão deveria agora ser demolida. Segundo o “South China Morning Post”, há um plano alternativo que prevê a retirada de oito das nove cúpulas do complexo, que terá uma dimensão superior à legalmente permitida e foi alegadamente construído sem licença. Aspetos que os fiéis que a frequentam não parecem valorizar assim tanto. “Como é que haveríamos de permitir-lhes que destruam uma mesquita que ainda está em boas condições?”, questionou um dos residentes da cidade e membro da minoria étnica, Ma Zhiguo, citado pela “Al-Jazeera”.