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Advogados de Trump “relutantes” em deixar que o presidente responda a perguntas sobre “obstrução à Justiça”

ZAKARIA ABDELKAFI

Advogados de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, preferem que ele não responda às perguntas preparadas por Robert Mueller, investigador especial para o alegado envolvimento dos russos na campanha de Trump, que se debrucem sobre suspeitas de obstrução à Justiça. O problema é que são precisamente essas que Mueller quer ver respondidas

Rudy Giuliani, advogado de Donald Trump, disse que a equipa legal do presidente está a preparar uma carta para o investigador especial Robert Mueller, que está responsável por determinar se existiu ou não conluio entre a equipa de campanha de Trump e russos com ligações ao Kremlin, na qual indica a “relutância” do presidente em responder às perguntas de Mueller que toquem no assunto “obstrução da Justiça”.

“Temos uma real relutância em permitir perguntas sobre obstrução”, disse Giuliani ao “The Washington Post” na terça-feira. A equipa de Trump disse que está disposta a analisar uma série de perguntas com “um foco diferente”. Mas poucos dias depois, esta quinta-feira, Giuliani voltou atrás e disse que essas perguntas continuavam “em cima da mesa”.

Esta resposta vem já depois de uma outra de Mueller a um pedido semelhante dos advogados de Trump. Mueller terá respondido, segundo fontes próximas do processo que falaram à ABC News, que continuava a ter intenção de fazer as perguntas todas, oralmente e por escrito.

Robert Mueller tem uma lista de mais de 50 perguntas para fazer a Donald Trump, divulgada pelo imprensa há cerca de três meses e que o Expresso já explicou. Algumas das perguntas mais problemáticas para Trump são precisamente aquelas em que Mueller lhe pergunta, por exemplo, por que razão despediu o ex-diretor do FBI James Comey, já que existem suspeitas de que tenha sido porque Comey se recusou a impedir a investigação que agora Mueller conduz. “Qual foi a intenção do seu telefonema para James Comey dias 30 de março e 11 de abril de 2017?” é uma das perguntas.

James Comey disse que Donald Trump lhe ligou por duas vezes a pedir que ele dissesse publicamente que o presidente dos Estados Unidos não estava sob investigação do FBI sobre o tema das interferências russas. No segundo telefonema, Trump terá dito, segundo Comey: “Eu tenho-lhe sido muito leal, muito leal. Nós temos isso entre nós, sabe?”.

“Em relação ao afastamento de James Comey, quando é que essa decisão foi tomada? Como? Por quem? Quem teve um papel nessa decisão?”, é outra pergunta apertada para Trump. Segundo conta o “New York Times”, uma parte da investigação de Mueller tem passado por perguntar a outros membros da Casa Branca como é que Trump decidiu despedir Comey. A ideia é comparar esta resposta com a informação que tem recolhido.

Os críticos de Trump dizem que ele queria simplesmente alguém que parasse as investigações decorrentes das suspeitas de que responsáveis da sua campanha poderiam ter relações demasiado próximas com russos para tentar encontrar formas de virar a eleição a seu favor. Terá sido esta uma das perguntas que levou a sua equipa de advogados a dizer que o presidente estaria pouco inclinado para se submeter a um interrogatório deste tipo.