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Zâmbia recusa conceder asilo político a dirigente da oposição do Zimbabwe

JEKESAI NJIKIZANA/AFP/Getty Images

Para o ministro zambiano dos Negócios Estrangeiros, os motivos invocados para o asilo de Tendai Biti não são “meritórios”. A polícia zimbabweana acusa o político da oposição de incitar à violência na sequência das eleições do mês passado. No início da semana, a oposição acusou o partido no poder de exercer uma repressão generalizada contra os contestatários do ato eleitoral, que confirmou Emmerson Mnangagwa como Presidente

A Zâmbia recusou esta quarta-feira conceder asilo político a Tendai Biti, um membro do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), aliança da oposição no Zimbabwe. O ministro zambiano dos Negócios Estrangeiros disse à BBC que os motivos invocados para o asilo não são “meritórios”. Por isso, Biti seria mantido sob “custódia segura” até regressar ao seu país, avançou o governante.

A polícia zimbabweana acusa o político da oposição de incitar à violência na sequência das eleições do mês passado. O seu advogado revelou que ele tinha sido detido na fronteira com a Zâmbia pelas autoridades do Zimbabwe. Biti gritou por ajuda e cerca de 300 viajantes zimbabweanos impediram que os agentes de segurança o prendessem, segundo um alegado relatório policial que foi posto a circular nas redes sociais.

As autoridades da Zâmbia intervieram e ameaçaram prender os agentes zimbabweanos por “executarem o seu mandado em solo zambiano”. O mandado de prisão de Biti, a que a BBC teve acesso, acusa-o de “ilegalmente” ter anunciado que o líder da oposição, Nelson Chamisa, venceu as eleições presidenciais.

Tendai Biti foi ministro das Finanças num Governo de unidade formado depois das eleições de 2008, tendo ajudado a estabilizar a economia do Zimbabwe após anos de hiperinflação.

Oposição acusa partido no poder de repressão generalizada

No início da semana, a oposição no Zimbabwe acusou o partido no poder, ZANU-PF, de exercer uma repressão generalizada contra os contestatários do ato eleitoral de 30 de julho, no qual Emmerson Mnangagwa garantiu a continuidade como Presidente ao conseguir 50,8% dos votos.

De acordo com o porta-voz de Chamisa, o segundo candidato à Presidência mais votado (44,3%), a repressão visa amedrontar as pessoas e dar uma falsa impressão de normalidade, com a continuidade das detenções. Estimando que cerca de meia centena de militantes do MDC estão dados como desaparecidos, o porta-voz referiu que a “situação é inquietante”, sublinhando que “os agentes vão às casas e levam as pessoas para destinos desconhecidos e não para os postos da polícia”.

O líder da oposição rejeita o que apelida de “resultados falsos não verificados” depois de o Presidente em funções ter sido declarado vencedor das primeiras eleições pós-Mugabe. A aliança MDC, encabeçada por Chamisa, prometeu contestar legalmente os resultados, declarando que a votação foi fraudulenta. Enquanto isso, as tropas do regime continuavam a patrulhar as ruas da capital Harare na sequência de protestos que causaram seis mortos.

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