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Senado argentino chumba legalização do aborto até às 14 semanas

ALBERTO RAGGIO/AFP/Getty Images

Depois de mais de 15 horas de debate, a votação terminou com 31 senadores a favor e 38 contra. Em junho, a Câmara dos Deputados tinha aprovado o projeto de lei que foi agora chumbado na câmara alta. O aborto na Argentina só é permitido em casos de violação ou de risco para a saúde da mãe

O Senado da Argentina rejeitou na madrugada desta quinta-feira um projeto de lei para legalizar o aborto nas primeiras 14 semanas de gravidez. Depois de mais de 15 horas de debate, a votação acabou por ficar em 31 senadores a favor e 38 contra.

Muitos apoiantes e opositores da medida enfrentaram a chuva forte para assistirem ao debate nos ecrãs gigantes montados no exterior do Congresso. Em junho, a Câmara dos Deputados tinha aprovado o projeto de lei que foi agora chumbado na câmara alta.

O aborto na Argentina só é permitido em casos de violação ou de risco para a saúde da mãe. De acordo com ativistas do ‘sim’ e com relatos que circularam nos últimos dias, a pressão da Igreja Católica – cujo líder, o Papa Francisco, é argentino – impediu a aprovação do projeto de lei.

EITAN ABRAMOVICH/AFP/Getty Images

Lenços verdes contra lenços azuis

Nas últimas semanas, as ruas argentinas pintaram-se de duas cores, o verde e o azul. Em vários espaços públicos, designadamente no metro de Buenos Aires, foram colocados lenços verdes, símbolo da Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Livre, que começou em 2005. Mas desde a aprovação do projeto de lei na câmara baixa, a 14 de junho, os partidários do ‘não’ intensificaram os protestos, fazendo-se acompanhar por lenços azuis com a inscrição “Salvemos las Dos Vidas”.

A diretora executiva da secção argentina da Amnistia Internacional, Mariela Belski, disse ao Expresso que nem tudo está perdido. “Antes, o aborto nunca se debatia, era quase impossível. Agora, qualquer candidato a qualquer cargo político terá a sua opinião sobre o aborto, e o eleitor terá em conta essa opinião, a favor ou contra”, congratula-se. O aborto na Argentina deixou, pois, de ser um tabu, “é um tema já inculcado na sociedade”, sublinhou. E concluiu, dizendo: “A luta pelos direitos civis é assim. É um processo, faz-se por passos”.

  • Lenços verdes contra lenços azuis

    Depois da aprovação inesperada na Câmara dos Deputados, a proposta de legalização do aborto sobe esta quarta-feira ao Senado. Num país onde “tudo pode acontecer”, os partidários do ‘sim’ e do ‘não’ aguardam com expectativa e com argumentos mais ou menos extremados. “O meu corpo, os meus direitos” contra a defesa intransigente da vida, mesmo em casos de violação. Uma coisa é certa: o aborto deixou de ser um tabu