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Venezuela. Caracas vai pedir extradição de presumíveis autores de ataque contra Maduro

O deputado Juan Requesens num comício da oposição

Ueslei Marcelino

A Venezuela vai pedir aos Estados Unidos e à Colômbia a extradição de alegados envolvidos no atentado contra o Presidente Nicolás Maduro, no sábado passado

A Venezuela vai pedir aos Estados Unidos e à Colômbia a extradição de alegados envolvidos no atentado contra o Presidente Nicolás Maduro, no sábado passado.

O anúncio foi feito na terça-feira pelo líder venezuelano, durante uma transmissão televisiva na qual foram divulgados quatro vídeos sobre a trajetória dos dois 'drones' [aviões não tripulados] e as estratégias usadas pelos presumíveis autores do atentado, bem como o som de conversas que mantiveram entre eles.

Maduro afirmou que Rayder Russo "Pico", radicado na Colômbia, e Osman Delgado, financeiro residente nos EUA, são alguns dos presumíveis autores da tentativa de homicídio.

De acordo com o Presidente venezuelano, "11 pessoas (...) que receberiam 50 milhões de dólares e teriam estadia garantida nos EUA" estiveram envolvidas no ataque.

Para Maduro, "é clara e há provas suficientes da participação do Governo da Colômbia, do cessante [Presidente] Juan Manuel Santos".

O chefe de Estado venezuelano pediu que os pormenores do atentado sejam transmitidos a Washington e a Bogotá, ao mesmo tempo que manifestou confiança "na boa fé do Presidente dos EUA, Donald Trump", para impedir que no território norte-americano se preparem assassínios presidenciais.

Oposição envolvida no atentado

Por outro lado, Maduro acusou também os opositores Júlio Borges, ex-presidente do Parlamento venezuelano, e o deputado Juan Requesens, ambos do partido Primeiro Justiça, de estarem envolvidos no atentado.

O governante disse acreditar que os autores do atentado receberam treino na Colômbia, em Chiácota, no departamento Norte de Santander, e inicialmente previam realizar o atentado durante as comemorações de 24 de junho [aniversário da Batalha de Carabobo] e de 5 de julho [aniversário da declaração de Independência].

Alguns dos suspeitos participaram nos violentos protestos de 2017, acrescentou. Maduro congratulou-se ainda pelo "tempo recorde" em que os alegados autores foram detidos.

No sábado, duas explosões, que as autoridades disseram ter sido provocadas por dois 'drones', obrigaram o Presidente da Venezuela a abandonar rapidamente as cerimónias do 81.º aniversário da Guarda Nacional Bolivariana [polícia militar].

As comemorações, que decorriam na avenida Bolívar de Caracas, estavam a ser transmitidas em direto pelas rádios e televisões venezuelanas.

No momento em que Nicolás Maduro afirmou ter chegado a hora da recuperação económica foram ouvidas das explosões, que fizeram vibrar a câmara que focava o chefe de Estado.

Sete militares ficaram feridos e foram detidas seis pessoas por suspeita de envolvimento no atentado, indicaram as autoridades.