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Trudeau afirma que Canadá manterá relações diplomáticas com Arábia Saudita

Já correu melhor, Justin Trudeau

CHRIS WATTIE / Reuters

O primeiro-ministro canadiano falou pela primeira vez desde que a Arábia Saudita expulsou o embaixador do Canadá em Riade devido às críticas canadianas às detenções de ativistas dos Direitos Humanos em território saudita

O primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, afirmou hoje que o Canadá continuará a manter relações diplomáticas com a Arabia Saudita, apesar da crise aberta entre os dois países, reafirmando que irá continuar a defender os Direitos Humanos.

Estas são as primeiras declarações de Trudeau desde que na passada segunda-feira a Arábia Saudita expulsou o embaixador do Canadá em Riade devido às críticas canadianas às detenções de ativistas dos Direitos Humanos em território saudita.

Além de expulsar o embaixador canadiano e chamar para reuniões o seu diplomata em Otava, a Arabia Saudita tomou medidas para limitar os intercâmbios comerciais e financeiros com o Canadá.

Trudeau afirmou durante uma conferencia de imprensa em Montreal que "não é segredo" que o Canadá fala com todo o mundo sobre as suas preocupações em relação às violações dos Direitos Humanos.

"O Canadá continuará a defender de forma construtiva e educada", acrescentou o primeiro ministro canadiano, que revelou que os ministros dos Assuntos Exteriores dos dois países mantiveram uma "longa" conversação telefónica nas últimas horas. Trudeau também reconheceu que a Arabia Saudita está "a avançar" em matéria de Direitos Humanos.

Por outro lado, Trudeau não quis criticar os Estados Unidos pela sua falta de apoio ao Canadá no conflito com a Arábia Saudita. Em Washington, a porta-voz do Departamento de Estado negou na terça-feira, a apoiar o Canadá limitando-se a afirmar que os dois países são "aliados" que têm de resolver entre si a disputa diplomática.

O diferendo entre as duas nações surgiu devido a 'tweets' de diplomatas canadianos exortando o reino saudita a "libertar imediatamente" ativistas dos direitos das mulheres que tinham sido detidas.

Entre as ativistas detidas, está Samar Badawi, cujo irmão, o jornalista Raif Badawi, foi detido na Arábia Saudita em 2012 e condenado a 1.000 chicotadas e dez anos de prisão por ter insultado o Islão no seu blogue. O seu caso é, há muito, abordado pelos grupos internacionais de defesa dos Direitos Humanos e por diplomatas ocidentais, entre os quais os canadianos, que têm apelado à Arábia Saudita para o libertar, sem êxito até agora.