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Argentina de olhos postos no Senado durante votação sobre legalização do aborto

Manifestação a favor da despenalização do aborto na Argentina

MARTIN ACOSTA/REUTERS

A iniciativa de legalização foi aprovada em junho pela Câmara dos Deputados mas tudo parece indicar que chumbará ao subir à câmara alta. Centenas de milhares de pessoas, na sua maioria mulheres, manifestam-se a favor e contra. A contenda também opõe o Presidente e o argentino Papa Francisco, apesar de serem ambos contra

Os 72 senadores da Argentina decidem esta quarta-feira se legalizam o aborto até às 14 semanas ou se mantêm a prática na clandestinidade. Num país que é visto como uma referência na conquista de direitos sociais na América Latina, a interrupção voluntária da gravidez é um crime punido com prisão, exceto em casos de violação ou risco para a saúde da mãe.

A iniciativa de legalização foi aprovada em junho pela Câmara dos Deputados mas tudo parece indicar que chumbará ao subir à câmara alta. Nas ruas, centenas de milhares de pessoas, na sua maioria mulheres, manifestam-se a favor e contra a proposta de lei.

Uma questão que fratura a sociedade argentina

Conforme relatou o correspondente do Expresso em Buenos Aires, a questão está a dividir a sociedade argentina em três blocos. De um lado os que votam a favor, do outro os que votam contra. Acresce ainda a coligação governamental, que também está dividida. E isto para não falar do Presidente Mauricio Macri e do argentino Papa Francisco, que estão em rota de colisão, apesar de serem ambos contra o aborto.

Dos 72 senadores, 35 já se manifestaram contra, enquanto 31 garantem que votam a favor. Uma senadora deve optar pela abstenção e uma outra deve faltar. Os quatro que sobram estão indecisos. Se a votação terminar empatada, a lei será rejeitada porque a responsável pelo desempate, a vice-Presidente da República e Presidente do Senado, Gabriela Michetti, é militante do “não”. No entanto, há margem para surpresas. A 14 de junho, na Câmara dos Deputados, quando tudo indicava que a rejeição à lei tinha sete votos de vantagem, o resultado terminou em 129 a favor e 125 contra.

Papa Francisco vs. Presidente Macri

A Igreja culpa o Presidente por ter aberto a possibilidade, instruindo os deputados afetos ao Governo a resolverem o assunto. Mauricio Macri diz-se contra o aborto e a favor da vida mas defende o direito das mulheres decidirem o que querem fazer. O Presidente afirmou que deixaria os deputados livres de qualquer pressão mas a Igreja desconfia que o Governo agiu a favor da aprovação da lei do aborto na votação final.

Nesta contenda há ainda que ter em conta a posição do Papa. De acordo com o sociólogo e analista político argentino Marcos Novaro, “o que mais afeta Francisco é a sensação de estar a perder a batalha cultural”. “O avanço do aborto legal na Irlanda e agora no seu próprio país são péssimos para a intenção que tem de combater o liberalismo económico e fortalecer o catolicismo”, acrescentou.