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Organização de Estados Americanos quer canal humanitário para atender diabéticos

SOPA Images/Getty Images

Escassez e altos preços dificulta acesso a medicamentos a “mais de 1,3 milhões de pessoas com diabetes”, segundo números da Federação Internacional de Diabetes

A Organização de Estados Americanos (OEA) exigiu esta terça-feira ao Governo venezuelano a abertura de um canal humanitário para atender os doentes com diabetes na Venezuela, onde a escassez e altos preços dificultam o acesso a medicamentos.

"Exigimos ao regime do Presidente Nicolás Maduro a abertura de um canal humanitário", escreveu o secretário-geral da OEA na sua conta do Twitter.

Luís Almagro explica que recebeu uma "carta da Associação de Diabéticos do Uruguai (ADU), denunciando a situação em que vivem 130 mil venezuelanos com diabetes Tipo 1, que dependem da insulina para viver e não recebem tratamento pela falta de stock no sistema de saúde da Venezuela".

Na carta, cuja cópia foi divulgada pelo secretário-geral da OEA, lê-se que, segundo a Federação Internacional de Diabetes, "mais de 1,3 milhões de pessoas padecem de diabetes" na Venezuela, das quais "130 mil têm diabetes do Tipo 1, pelo que dependem da insulina durante toda a vida".

"A existência e acessibilidade de materiais para o tratamento de diabetes (insulinas, fitas reativas para o controlo da glicemia, alimentação, entre outros) encontra-se gravemente comprometida o com falta de 'stock' total em grande parte do sistema de saúde da Venezuela", explica.

Na carta, a ADU sublinha que, "por tal motivo de urgência humanitária em diabetes, solicita o acompanhamento e apoio (da OEA) para que seja fornecido e disponibilizado o acesso a materiais para o tratamento médico" de "insulinoterapia, automonitorização e medicamentos para a diabetes e as suas complicações, assim como a disponibilização dos alimentos necessários para um adequando plano alimentar".

"Que, caso se careça dos recursos para tais materiais, se instale um corredor humanitário com garantias, que facilite a colaboração, através de países da nossa região e de parte dos organismos internacionais que estão na disposição de colaborar", sublinha.

O documento conclui afirmando que, se for necessário, o Presidente da ADU formalizará "este pedido urgente de ajuda" à OEA, e qualquer outra gestão pertinente para a colaboração, "nesta situação de crise, para as pessoas venezuelanas com diabetes".

Na Venezuela, são cada vez mais frequentes as queixas da população sobre dificuldades para conseguir alguns medicamentos no mercado local, entre eles para tratar da hipertensão e da diabetes.

Quando algumas farmácias disponibilizam este tipo de medicamentos, fazem a preços internacionais, com base no mercado negro das divisas, uma vez que vigora, desde 2003, um férreo sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção de moeda estrangeira no país.

Hoje, em várias farmácias de Caracas era possível conseguir medicamentos compostos de metformina com reguladores de açúcar, a um preço superior ao de um salário mínimo integral (com todos os subsídios incluídos), para quinze dias de tratamento.

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