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Fornecedor de bebidas num evento gay resolve troçar dos clientes e perde a encomenda

TEERAYUT CHAISARN/Getty

O pequeno empresário rapidamente apagou o seu tweet homofóbico, mas não foi a tempo de evitar a polémica

Luís M. Faria

Jornalista

Emmanuel de Preval, gerente de uma empresa francesa que fornece bebidas para eventos profissionais, recebeu uma encomenda, no valor de 3800 euros, para uma festa a seguir a um jogo de hockey nos Gay Games. Este evento é uma celebração da diversidade que acontece de quatro em quatro anos há mais de três décadas. Aberta a toda a gente, independentemente de orientações sexuais ou até de qualificação desportiva, decorre ao longo da presente semana em Paris.

Como é membro de várias organizações conservadoras, Preval publicou sexta-feira um post no Twitter onde dizia que trabalhar com militantes gay lhe "punha um verdadeiro problema moral", pelo que decidira entregar todo o lucro daquela encomenda à organização Manif Pour Tous, que se opõe ao casamento gay. Sarcástico, acrescentou: "Obrigado ao lobby LGBT pela sua generosidade com as causas tão belas". Para não deixar dúvida sobre as suas intenções, pôs no fim uma daqueles ícones com uma cara a chorar de riso.

Quem não gostou foi a pessoa que lhe tinha feito a encomenda, o árbitro franco-alemão Mark Knulle. Enviou logo a Preval uma carta de cancelamento onde explicava que os atletas e ele próprio preferiam beber água a tocar em qualquer produto fornecido por aquela empresa. E como no Twitter as coisas raramente passam despercebidas, houve muito mais gente a indignar-se - até porque nos dias seguintes foram desenterrados antigos tweets homofóbicos de Preval, incluindo uns em que ele falava da #gaystapo e dos cérebros doentes dos gays.

O empresário rapidamente tornou privada a sua conta, apagando a mensagem ofensiva de há uns dias. Mas também isso é inútil no Twitter, pois havia quem a tivesse copiado e ela continuou a circular e a ser comentada. Entretanto, descobriu-se que ele fornece bebidas para eventos tão importantes como a Feira Internacional de Arte em Paris e o torneio de ténis Roland Garros, bem como para a Cité du Cinema. As possibilidades de boicote parecem infinitas, e o autodescrito "pequeno patrão" e "católico de família" ainda pode vir a arrepender-se da sua imprudência.

Há quem o defenda, alegando que tem o direito às suas convicções e não é justo castigá-lo por elas. Outros notam que, além de chamar imorais aos clientes, ele fê-lo com sarcasmo e troçou deles. Ou seja, para uns é uma questão de correção política, para outros tem a ver com respeito.