Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Conservadores querem que Boris Johnson peça desculpa por comentários islamofóbicos mas ele não o deve fazer

A negação também afeta a direita

WILL OLIVER/ Foto EPA

Dentro do partido conservador já são várias as vozes contra os comentários de Boris Johnson, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros no governo de Theresa May, que assinou um artigo de opinião em que compara as mulher muçulmanas de burqa a “assaltantes de bancos” e a “marcos do correio”. Mas Johnson está relutante em pedir desculpa

O ex-ministro britânico dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johnson, está a ser fortemente criticado, também dentro do seu próprio partido consevador, por ter comparado as mulheres que utilizam burqa a “caixas de correio” e a “ladrões de bancos”.

Na segunda-feira, Johnson assinou um artigo no jornal britânico "The Daily Telegraph" onde escreve, por exemplo, que considera “absolutamente ridículo” que as pessoas decidam “andar por aí como se fossem marcos de correio” ou "assaltantes de bancos". Os seus comentários desencadearam pesadas críticas por parte de várias associações de muçulmanos, mas foram os próprios conservadores a exgir um pedido de desculpa.

Brandon Lewis, presidente dos "tories", pediu a Johnson que se desculpe perante os ofendidos. E também o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Alistair Burt, qualificou de "ofensivas" as declarações do antigo chefe da diplomacia britânica.

"É literalmente o estilo intolerante de [ex-conselheiro do Presidente norte-americano Donald Trump, Steve] Bannon e as táticas de Trump a entrarem na política britânica", comentou, por seu lado, a antiga vice-presidente do Partido Conservador Sayeeda Warsi. A primeira mulher muçulmana a ser ministra no Reino Unido classificou os comentários de Johnson como "mais uma tentativa de liderar" e que, para isso, "ele diz e faz o que quer que seja preciso".

O Conselho Muçulmano do Reino Unido (MCB) considerou que "ao escolher intencionalmente estas palavras para um jornal nacional", Boris Johnson "lambe as botas da extrema-direita". Desculpas são "o mínimo", indicou o MCB, adiantando que o Partido Conservador se devia questionar sobre a islamofobia no seu interior.

Boris Johnson, porém, não o deverá fazer, disse à "Sky News" uma pessoa próxima do ex-ministro. "É ridículo que as suas opinões estejam a ser atacadas. Não podemos fechar o debate a estes temas importantes. É preciso que denunciemos estes comportamentos e que continuemos a defender valores liberais ou estaremos a criar terreno fértil para reacionários e extremistas", disse essa fonte.