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Centenas no funeral de jornalistas russos mortos na República Centro-Africana

Anton Novoderezhkin/Getty

Jornalistas assassinados estavam a investigar a presença na República Centro-Africana de mercenários russos da empresa Wagner, que se destacou na Síria

Centenas de pessoas, entre as quais personalidades ligadas à imprensa, homenagearam esta terça-feira, em Moscovo, os três jornalistas russos mortos na República Centro-Africana, onde investigavam as atividades no país da empresa de mercenários Wagner, da Rússia.

Os jornalistas assassinados Alexandre Rastorgouiev, Orkhan Djemal e Kirill Radtchenko estavam a investigar a presença na República Centro-Africana de mercenários russos da empresa Wagner, que se destacou na Síria, por conta do Centro de Gestão de Investigações (CGI), um projeto lançado pelo opositor russo exilado Mikhail Khodorkovski.

Os três jornalistas foram raptados por um grupo armado formado por 10 homens, com turbantes e a expressarem-se em árabe, nos arredores da cidade de Sibut, cerca de 190 quilómetros a norte de Bangui.

Os corpos dos jornalistas foram encontrados sem vida e cravejados de balas e suspeita-se que tenham sido assassinados por causa da investigação que estavam a fazer.

A República Centro-Africana caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-presidente François Bozizé por vários grupos juntos na designada Séléka (que significa coligação na língua franca local), que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-balaka.

O conflito na RCA, que tem o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.

Portugal está presente no país desde o início de 2017, no quadro da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (Minusca) e na Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA), com um total de 204 militares.