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Boris Johnson acusado de islamofobia depois de ter comparado as mulheres de burqa a “caixas de correio”

SIMON DAWSON/ Reuters

No artigo de opinião, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros britânico comentava a entrada em vigor na Dinamarca da proibição do uso do véu islâmico integral. Vários grupos muçulmanos do Reino Unido exigem a abertura de um inquérito

O ex-ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, está debaixo de fogo depois de, num artigo de opinião, ter comparado as mulheres que utilizam burqa a “caixas de correio” e a “ladrões de bancos”.

Na crónica publicada esta segunda-feira no “Telegraph”, Johnson comentava a entrada em vigor na Dinamarca da proibição do uso do véu islâmico integral em espaços públicos.

Além de dizer que considera “absolutamente ridículo” que as pessoas decidam “andar por aí como caixas de correio”, o ex-ministro declara que se sentiria no pleno direito de pedir a uma mulher que se apresentasse à sua frente no Parlamento com a cara tapada, que retirasse o véu, de modo a poder “falar com ela em condições”.

Foi a gota de água para vários grupos muçulmanos no Reino Unido, que insistem na necessidade de ser aberto um inquérito sobre a alegada islamofobia no Partido Conservador.

“Os últimos insultos racistas de Boris Johnson não podem ser ridicularizados, como costuma acontecer”, disse Naz Shah, deputada do Partido Trabalhista. “Theresa May [a primeira-ministra] deve condenar esta flagrante islamofobia e Boris Johnson deve pedir desculpas”, acrescentou Shah.

Já o Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha emitiu um comunicado classificando o artigo de opinião como “lamentável”.

No Twitter, outro deputado trabalhista, David Lammy, comparou Johnson a Donald Trump, enquanto múltiplas vozes se levantam para condenar também o silêncio de Theresa May sobre o assunto.