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Internacional

Após corte de relações com Taiwan, Burkina Faso aguarda investimento chinês

Alpha Barry e Wang Yi, chefes da diplomacia do Burkina Faso e da China, respetivamente

THOMAS PETER

Governo espera o investimento de empresas chinesas em áreas como a energia, exploração de minérios e educação

O Burkina Faso, que recentemente cortou relações com Taiwan, está à espera de investimento chinês em vários serviços e infraestruturas, como a construção de uma autoestrada entre as duas maiores cidades do país, noticia nesta terça-feira a Bloomberg.

O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) burquinabês, Alpha Barry, disse, em entrevista, que o Governo de Ouagadougou espera o investimento de empresas chinesas em áreas como a energia, exploração de minérios e educação, bem como a continuação de projetos iniciados pelo Taiwan.

O chefe da diplomacia do Burkina Faso disse que a empreiteira China Harbour Engineering Co. está a negociar um empréstimo concessional com o banco chinês EXIM para a construção de uma nova autoestrada com mais de 300 quilómetros e que irá ligar a capital, Ouagadougou, à segunda maior cidade do país, Bobo-Dioulasso. O início do projeto está previsto para janeiro de 2019 e tem um custo estimado de 1,3 mil milhões de dólares (cerca de 1,12 mil milhões de euros).

O Burkina Faso começou a reconsiderar a sua relação de 24 anos com Taiwan quando o território recusou dispensar 20 milhões de euros para o financiamento de cinco projetos, em 2016. A China comprometeu-se a dispensar 24,4 milhões de dólares (cerca de 21 milhões de euros) anuais para assegurar a continuação dos projetos começados por Taiwan e a transferir os estudantes do Burkina Faso a estudar em Taiwan para instituições de ensino em Hong Kong. O MNE acrescentou que mais projetos poderão ser aprovados em setembro, com a visita do Presidente, Roch Marc Christian Kabore, a Pequim, no âmbito da cimeira China-África.

Em 24 de maio, o Burkina Faso rompeu as relações diplomáticas com Taiwan, que fornecia ajuda ao país africano em troca do seu apoio diplomático. A decisão foi tomada após as autoridades de Ouagadougou terem analisado o que tinha acontecido a países com recursos semelhantes aos do Burkina Faso após investimento chinês. "Pensámos que o melhor seria sair", disse Barry, acrescentando: "A China oferece melhores oportunidades para alcançar os nossos projetos, e as empresas chinesas estão entre as melhores no mundo".

Após o anúncio, em maio, a China anunciou a construção de um hospital em território burquinabês e abriu a sua embaixada no país. O corte das relações diplomáticas com Taiwan deixou o reino da Suazilândia como o único aliado africano do território.

Desde 2000 que diversos países africanos, incluindo o Chade e o Senegal, que recebiam ajudas de Taiwan, romperam as suas relações com a ilha com o objetivo de beneficiar de uma cooperação com a China, na sequência das pressões internacionais de Pequim sobre a questão de Taiwan, que considera parte do seu território.

Em dezembro de 2016, São Tomé e Príncipe também rompeu relações diplomáticas com Taiwan e passou a reconhecer a República Popular da China. Atualmente, apenas 18 Estados, incluindo o Vaticano e nações do Pacífico e da América Latina (Honduras, Guatemala ou Kiribati), reconhecem a ilha, separada da China desde a revolução comunista de 1949. Antes do Burkina, a República Dominicana também anunciou este ano, em 1 de março, a rutura com Taiwan.