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Internacional

Reino Unido vai pedir extradição de dois russos por suspeitas de ataque com agente químico

REUTERS/Henry Nicholls

O governo britânico já tem preparada uma carta em que pede à Rússia a extradição de dois seus cidadãos alegadamente envolvidos nos ataques cometidos com o agente químico Novichok, na cidade de Salisbury, em março deste ano

A procuradoria geral do Reino Unido vai enviar à Rússia um pedido de extradição de dois homens por suspeitas de ligação à tentativa de envenenamento, com o potente agente químico Novichok, de Sergei Skripal e da sua filha, Yulia Skipral, e da subsequente contaminação escreve o diário "The Guardian". Os Skipral conseguiram sobreviver ao ataque depois de um longo período de internamento, mas uma outra cidadã britânica, que entrou em contacto com o agente nervoso mais de três meses depois do primeiro ataque, acabou por morrer.

Depois de mais de cinco meses de investigação por centenas de agentes, as autoridades britânicas parecem ter conseguido estabelecer os movimentos dos dois suspeitos, desde o momento em que chegaram ao Reino Unido até à sua partida, passando pelo seu envolvimento no ataque que atingiu quatro pessoas e matou uma, todas na zona de Salisbury. A Rússia nega ter tido alguma coisa a ver com o ataque e os cientistas britânicos não conseguiram designar, sem margem para dúvida, a origem do veneno. Isto não impediu que vários responsáveis políticos apontassem o dedo ao Kremlin e a discordância acabou por levar à maior expulsão de diplomatas russos de países ocidentais desde os tempos da Guerra Fria.

É, no entando, pouco provável que a Rússia aceda ao pedido das autoridades britânicas. Quando, em 2007, o Reino Unido pediu que Andrei Lugovoi fosse julgado pela tentativa de assassinado do dissente crítico do Kremlin Alexander Litvinenko, Vladimir Putin, Presidente da Rússia, chamou "arrogantes" aos britânicos a acuso-os de manterem uma "mentalidade colonial" sem "qualquer cabimento".

Da mesma forma, ainda que não pelos mesmos motivos, o Reino Unido também se recusou a entregar à Rússia Boris Berezovsky por considerar que o milionário crítico do Presidente não teria um julgamento limpo na Rússia e que estava a ser perseguido pelas suas convicções políticas. A Constituição da Rússia, de resto, proíbe a extradição dos seus cidadãos.