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Polémica na Grécia. Terrorista grego que matou 11 pessoas transferido para prisão no campo

Getty Images

Condenado a 25 anos de prisão, Dimitris Koufodinas, líder do grupo terrorista ‘17 de novembro’, foi transferido de um estabelecimento prisional de alta segurança para uma prisão no campo. A decisão está a ser também criticada pela Turquia e pelos Estados Unidos

Longe de acalmar, subiu de tom a polémica que, na Grécia, rodeia a transferência do líder do grupo terrorista ‘17 de novembro’ (entretanto extinto), de uma prisão de alta segurança para um estabelecimento prisional no campo. Washington e Ancara juntaram-se ao coro dos protestos. Tanto os Estados Unidos como a Turquia condenam a decisão, considerando que a mesma representa um aliviar das condições de detenção de Dimitris Koufodinas, de 60 anos, condenado pela morte de 11 pessoas durante o seu envolvimento com o grupo extremista de esquerda.

Conhecido como “Mão Venenosa”, Koufodinas foi transferido na sexta-feira, dia 3, da penitenciária fortaleza de Atenas, para uma instalação agrícola na Grécia central, onde vai gozar de mais tempo no exterior, colhendo fruta e limpando o campo.

A porta-voz do departamento de Estado norte-americano, Heather Nauert, expressou o seu descontentamento no Twitter. Manifestou mesmo o temor de que num país com um histórico de violência política, Koufodinas possa exercer influência numa nova geração, já que o ex-apicultor continua a ser uma figura mítica entre os que ainda acreditam na resistência armada.

Quanto à Turquia - em desacordo com a Grécia por causa de o país ter recusado extraditar oito oficiais militares que afirma serem também terroristas - afirmou que este caso reforça “mais uma vez” as dúvidas turcas sobre o funcionamento do sistema judicial grego.

Desde 1975, quando surgiu após o colapso do regime militar, até junho de 2000, quando fez a sua última vítima - o adido militar britânico em Atenas - o grupo ‘17 de novembro’ assassinou 23 pessoas, de várias nacionalidades, incluindo funcionários oficiais norte-americanos. Industriais gregos, empresários, políticos e editores foram alguns dos alvos.

Dimitris Koufodinas rendeu-se após 65 dias em fuga. Confessou abertamente os crimes e sempre recusou manifestar qualquer remorso.

Não é a primeira vez que o tratamento concedido ao terrorista é motivo de críticas. No ano passado, Koufodinas foi autorizado a deixar a prisão por várias vezes, o que originou reações iradas tanto na Grécia, como no exterior.

O Governo grego recusa estar a beneficiar o detido ou a conceder-lhe “um tratamento especial”. Nega ainda que este possa sair antecipadamente em liberdade, após cumprir 19 dos 25 anos de prisão a que foi condenado.

“A sentença continuará a ser cumprida normalmente”, disse o ministro da Justiça, Stavros Kontonis, insistindo que os condenados estão a ser transferidos para outras instalações como parte de um plano para transformar a prisão de Korydallos, superlotada, num estabelecimento de detenção para os réus que aguardam julgamento.