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Estudantes japoneses reproduzem o antes e o depois da bomba de Hiroshima em realidade virtual

Hulton Archive/Getty

Um grupo de estudantes japoneses do ensino secundário, todos nascidos mais de 50 anos depois do ataque atómico a Hiroshima, reconstruíram, através de um programa de realidade virtual, os momentos vividos na cidade japonesa antes, durante e após o lançamento da bomba

Um grupo de estudantes japoneses quer que toda a gente possa ver, ouvir, quase sentir, o que se passou em Hiroshima antes, durante e após o ataque dos Estados Unidos que, em agosto de 1945, lançaram uma bomba atómica sobre a cidade, matando 140 mil pessoas.

Através de uma experiência de realidade virtual, os estudantes querem mostrar como era a cidade japonesa antes da tragédia, com as suas árvores, parques e riachos e contrapor essa realidade à que se seguiu: chamas, destruição, edifícios feitos em pó e milhares de mortes. A iniciativa visa contribuir para que “nada do género se volte a repetir”, escreve a revista norte-americana TIME. “Mesmo sem palavras, se vires as imagens, entendes. E esse é um dos grandes méritos da realidade virtual”, disse um dos estudantes Mei Okada, aluno de uma escola profissional em Fukuyama, a cerca de 110 quilómetros de Hiroshima.

Nesta experiência de realidade virtual, os estudantes levam as pessoas a dar um passeio perto do rio Motoyasu, ao posto dos correios ou ao hospital Shima, cujo jardim interior permanece por reconstruir, como uma lembrança da devastação que levou o Japão a capitular incondicionalmente, pondo fim à Segunda Guerra Mundial.

Para recrear a Hiroshima desaparecida, os estudantes foram a museus, estudaram centenas de fotografias antigas e entrevistaram sobreviventes do ataque. Depois, utilizaram software de animação 3D e foram adicionando pequenos detalhes como luz, a cor das chamas que se seguiram ao detonar da bomba, os sons e o desgaste natural das cores das casas.

Muitos nasceram mais de meio século depois do ataque e não tinham dedicado muito tempo a pensar no acontecimento até se envolverem neste projeto.

“Quando estava a recriar os edifícios antes da queda da bomba e nos momentos que se seguiram, vi muitas fotos de sítios que já não estão cá e entendi quão assustadoras e perigosas podem ser as bombas atómicas. É importante que partilhemos isto com as outras pessoas”, disse Yuhi Nakagawa, de 18 anos.