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Internacional

Bangladesh deveria realojar refugiados rohingya para um local mais seguro, recomenda HRW

YE AUNG THU/AFP/Getty Images

A Human Rights Watch defende que os refugiados que fugiram da campanha de limpeza étnica dos militares de Myanmar não deveriam ter de enfrentar inundações e deslizamentos de terra e deveriam ter abrigos mais resistentes e uma educação adequada para estadas prolongadas. Os refugiados mantidos em áreas densamente povoadas ficam mais expostos a doenças transmissíveis, incêndios, tensões na comunidade e violência doméstica e sexual

O Governo do Bangladesh deveria realojar os refugiados rohingya que vivem num mega-acampamento sobrelotado para um local mais seguro na cidade de Cox’s Bazar. A recomendação é feita pela organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) num relatório divulgado no domingo. Segundo a HRW, os refugiados que fugiram da campanha de limpeza étnica dos militares de Myanmar (antiga Birmânia), que começou em agosto do ano passado, não deveriam ter de enfrentar inundações e deslizamentos de terra – que só num dia mataram cinco crianças – e deveriam ter abrigos mais resistentes e uma educação adequada para estadas prolongadas.

O relatório de 68 páginas intitula-se “‘Bangladesh Is Not My Country’: The Plight of Rohingya Refugees from Myanmar” (‘O Bangladesh Não É o Meu País’: A Situação dos Refugiados Rohingya de Myanmar) e baseia-se numa visita à cidade bengali de Cox’s Bazar realizada em maio deste ano. A HRW verificou no terreno a sobrelotação do mega-acampamento: o espaço utilizável médio é de 10,7 metros quadrados por pessoa, sendo que o padrão internacional recomendado é de 45 metros quadrados por pessoa.

Os refugiados mantidos em áreas densamente povoadas ficam mais expostos a doenças transmissíveis, incêndios, tensões na comunidade e violência doméstica e sexual. As autoridades do Bangladesh deveriam, por isso, realojar os refugiados em campos menores, menos densamente povoados, mais acessíveis e planos, no mesmo subdistrito de Ukhiya onde o mega-acampamento se encontra, defende a HRW.

O maior campo de refugiados do mundo

Muitos dos rohingya que estão a chegar ao país, a juntar-se aos mais de 200 mil que fugiram em perseguições anteriores de Myanmar, vivem naquele que se tornou o maior campo de refugiados do mundo, o campo de Kutupalong-Balukhali.

Apesar dos esforços das agências humanitárias para fortalecer as cabanas, construir infraestruturas mais seguras e desenvolver planos de segurança, o campo e os seus residentes continuam altamente vulneráveis a condições meteorológicas catastróficas, alerta a HRW. A 25 de julho, cinco crianças morreram em inundações e deslizamentos de terra, revela a organização.