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Brasil: é dia de tudo ou nada para a Presidência

PAULO WHITAKER/ Reuters

Uma corrida eleitoral de prognóstico imprevisível, com 13 candidatos já oficializados, mas ainda com equipas incompletas. Num contrarrelógio para concluir as alianças políticas ainda neste domingo, o Brasil depara-se com uma confusa lista de candidaturas

Termina este domingo o prazo para os partidos brasileiros realizarem as suas convenções e definirem a composição das candidaturas à corrida presidencial a 7 de outubro. Os nomes dos candidatos escolhidos para ir a votos têm de estar registados até 15 de agosto, de acordo com o calendário do Tribunal superior eleitoral (TSE).

Considerada uma eleição atípica pelos cientistas políticos brasileiros, o resultado é também encarado como praticamente imprevisível, devido ao elevado número de eleitores indecisos e ao alto grau de rejeição de todos os candidatos.

Cinco partidos têm convenções marcadas para este domingo, numa verdadeira corrida contra o tempo para cumprir os prazos. Logo no dia 16 de agosto terá início a campanha eleitoral, mas na rádio e na televisão, a propaganda política só arranca no dia 31 de agosto.

Também termina este domingo o prazo para a definição dos candidatos à vice-Presidência. Ainda sem companheiros de candidatura estavam nomes relevantes como Luís Inácio Lula da Silva (Partido dos Trablahadores), Jair Bolsonaro (Partido Social Liberal), Ciro Gomes (Partido democrático Trabalhista) e Manuel D'Ávila (Partido Comunista do Brasil). Falta ainda definir a composição da lista de Levy Fidelix (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro).

Algumas candidaturas, contudo, nunca formalizadas, como as mediáticas possibilidades do apresentador de televisão Luciano Huck, o juiz do Supremo tribunal federal Joaquim Barbosa, o atual Presidente Michel Temer ou o senador e ex-Presidente Fernando Collor.

Para já, há 13 candidatos oficializados:.

Lula da SIlva

Lula da SIlva

Victor Moriyama / Getty

Confirmado como candidato do Partido dos Trabalhadores este sábado, Luís inácio Lula da Silva, 72 anos, está preso num edifício da Polícia Federal em Curitiba desde abril por alegada corrupção e branquamento de capitais.

Metalúrgico, sindicalista, foi Presidente da República por dois mandatos consecutivos, e esta será a sua sexta candidatura à Presidência do Brasil. No entanto, para poder concorrer realmente, o assunto terá de ser decidido pelo TSE, o que só pode acontecer depois de oficialmente registada.

Segundo as pesquisas eleitorais, mantém uma margem de intenção de voto de cerca de 30%.

Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro

Ueslei Marcelino

O nome mais polémico é o Jair Bolsonaro. Cumprindo o sétimo mandato consecutivo como deputado federal, é militar na reserva, professor de Educação Física, tem 63 anos, e, em janeiro deixou o Partido Social Cristão para se filiar no Partido social Liberal, a nona sigla partidária a que se associou.

É réu numa acção penal no Supremo Tribunal Federal por alegado crime de apologia à violação e injúria por ter afirmado que não violaria a deputada Maria do Rosário, do Partido dos Trabalhadores, porque a mesma "não merecia".

Tem uma intenção de voto de cerca de 19% e é o mais bem posicionado caso Lula da Silva não se candidate. Ainda sem vice, cargo que poderá ser ocupado pelo empresário e cientista político Luiz Philippe de Orleans e Bragança, o Príncipe, integrante da família real brasileira.

Ciro Gomes

Ciro Gomes

UESLEI MARCELINO

Ciro Gomes, 60 anos, é um nome tradicional da política brasileira. candidata-se pelo PDT, ainda sem vice definido.

Foi ministro das Finanças na década de 90, no final da Presidência de Itamar Franco e no início do governo de Fernando Henrique Cardoso. Foi também ministro da Integração Nacional, entre 2003 e 2006, no primeiro mandato de Lula da Silva.

Já concorreu duas vezes à Presidência da república, foi governador do estado do Ceará, prefeito de Fortaleza, deputado estadual e deputado federal. Já esteve filiado em sete partidos.

Geraldo Alckmin

Geraldo Alckmin

Caetano Barreira/Reuters

O Partido da Social Democracia Brasileira confirmou este sábado a candidatura de Geraldo Alckmin, acompanhado pela vice Ana Amélia, do Partido Progressista, o quarto maior partido brasileiro, ligado ao ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, e que se situa no espectro mais à direita da política brasileira.

Médico, 65 anos, começou na vida política em 1973, como vereador por Pindamonhangaba. Depois foi prefeito, chegou a a deputado estudual e federal por São Paulo e foi governador do mesmo estado por três vezes. Em 2006 disputou a Presidência e perdeu para Lula da Silva.

Marina Silva, 60 anos, concorre pela Rede Sustentabilidade. Terá Eduardo Jorge do Partido Verde como seu vice-presidente. Marina foi deputada estadual pelo Acre e senadora pelo mesmo estado por dois mandatos. Foi ministra do Ambiente de Lula da Silva e era filiada no PT até 2009, quando saiu para poder concorrer à Presidência da República, em 2010. Quatro anos mais tarde, voltou a tentar, tendo perdido para Dilma Rousseff.

Guilherme Boulos é o rosto da candidatura presidencial do Partido Socialismo e Liberdade. A sua vice será a ativista indígena Sônia Guajajara, da mesma sigla. Com 36 anos e coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Boulos foi militante estudantil da união Juventude Comunista e licenciou-se em Filosofia. Defende as ocupações de edifícios por pessoas que não têm acesso à habitação regular e é muito próximo de Lula da Silva. Concorre pelo mesmo partido a que pertencia a deputada estadual assassinada este ano, Marielle Franco.

Henrique Meirelles concorre pelo Movimento Democrático Brasileiro. O ex-governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto , será o vice-presidente. Meirelles foi ministro das Finanças do atual Presidente, Michel Temer, abandonando a pasta para concorrer ao Palácio do Planalto. Antes do ministério foi presidente do Banco Central durante o governo Lula e deputado federal por Goiás.

O Partido Comunista do Brasil concorre com Manuela D'Ávila, 36 anos, deputada estadual do Rio Grande do Sul. Foi dada como uma potencial vice para a candidatura de Lula da Silva, de quem é muito próxima. Terá 20 segundos de tempo de antena televisivo. É jornalista de formação e foi a mais jovem vereadora por Porto Alegre.

Álvaro Dias é considerado um dinossauro no Brasil, com 50 anos de atividade política. Concorre com a sigla do Podemos, novo nome para o Partido Trabalhista Nacional, fundado em 1995 e muito distinto do Podemos espanhol, com o partido brasileiro a situar-se no centro direita.

Oficializada este sábado, em Curitiba, a candidatura do senador e ex-governador do Paraná, anunciou que, se eleito, convidará o juiz Sérgio Moro para ser ministro da Justiça, defendeu o combate à corrupção e homenageou a Operação Lava Jato. O vice será Paulo Rabello, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), filiado no PSC (Partido social Cristão).

O Partido Patriota surge com a candidatura de Cabo Daciolo, deputado federal e bombeiro militar, de 42 anos, que disputará as eleições Presidenciais pela primeira vez em 2018. Daciolo chegou a propor a adoção de uma alteração constitucional, substituindo a atual formulação "todo o poder emana do povo" para "todo o poder emana de Deus". A vice será Sulene Balduino Nascimento, filiada no mesmo partido, registado em 2012, depois de ter abandonado a designação original de Partido Ecológico Nacional. O líder do partido está ligado às igrejas evangélicas brasileiras. O Patriota é contra a legalização da interrupção voluntária da gravidez, a legalização das drogas e a favor do uso de armas de fogo e do aumento do investimento nas Forças Armadas.

João Amoêdo é o candidato do Partido Novo, acompanhado por Christian Lohbauer como vice. Empresário carioca de 55 anos, é licenciado em Engenharia e Gestão e fez carreira em instituições financeiras. É conhecido por ser atleta de triatlo. É um dos poucos pré-candidatos à presidência que não responde a nenhum processo na Justiça, seja por crimes relacionados à corrupção ou por processos relacionados a danos morais.

A Democracia Cristã concorre com José Maria Eymael, acompanhado pelo pastor evangélico Helvio Costa. Eyamel, tem 78 anos, é advogado e empresário, já disputou por quatro vezes as eleições presidenciais e é atualmente deputado federal.

Vera Lúcia concorre pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, acompanhad apor Hertz Dias, ativista do movimento negro, como vice. Tem 50 anos, é licenciada em Ciências Sociais, foi expulsa do PT em 1992 e fundou o PSTU.