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Pelo menos 55 mortos num bombardeamento em Hodeida, no Iémen

Zona próxima do hospital que, juntamente com um mercado de peixe, foi alvo dos bombardeamentos

ABDO HYDER/Getty

Um hospital e um mercado de peixe situado junto ao porto da cidade foram os alvos da aviação saudita e dos Emirados Árabes Unidos

Pelo menos 55 pessoas foram mortas no ataque aéreo que as forças da coligação constituída pela Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos realizaram contra a cidade portuária iemenita de Hodeida, situada na costa do Mar Vermelho. Os bombardeamentos, noticiados nesta quinta-feira, atingiram um hospital e um mercado de peixe.

O ministro da Saúde do governo dos rebeldes Huthis, Taha al-Mutawakil, afirmou que entre os mortos se incluem mulheres e crianças e, numa declaração feita na quinta-feira ao fim do dia, acrescentou que 124 pessoas ficaram feridas. As primeiras notícias davam conta de que o número de vítimas mortais teria sido de 28, conforme informou a agência Reuters.

Aquele responsável adiantou, também, que as operações de socorro aos feridos estavam a ser prejudicadas pelo receio de que as ambulâncias e outro veículos de assistência possam vir a ser alvo de ataques, o que estava a colocar obstáculos ao transporte de pessoas para Saná, a capital, e para outras províncias. Além desta dificuldade, as autoridades de saúde enfrentavam dificuldades com a escassez de recursos para atender a todas os cuidados que era necessário prestar. A Cruz Vermelha indicou ter efetuado fornecimentos de material para ser utilizado em cirurgias, mas apenas suficiente para tratar até 50 pessoas.

"O que vimos em Hodeida é um crime infâme", afirmou Mutawakil, citado pela SABA, a agência de notícias dos rebeldes, ao mesmo tempo que acusou os Estados Unidos de serem cúmplices no ataque. Washington tem dado apoio logístico à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos no esforço militar que os dois países têm empreendido desde março de 2015 com o objetivo de derrubar o governo dos Huthis e reconduzir ao poder o presidente deposto Abu-Rabbu Mansour Hadi, líder de um executivo que é reconhecido internacionalmente.

Mohamed al-Hasni, líder do sindicato dos pescadores de Hodeida, afirmou à estação de televisão Al-Jazeera que não havia alvos miliatres na zona atingida pelos bombardementos e que o porto e o mercado "estavam cheios de gente". A ação militar foi "um massacre" e, como não havia militares ou pessoas armadas na zona, o ataque destinou-se "a espalhar o medo e o terror", acrescentou Mohamed al-Hasni.

A coligação liderada pelos sauditas tem tentado recuperar áreas do Iémen controladas pelos rebeldes ao longo da costa ocidental do país, incluindo a vital cidade de Hodeida, o principal ponto de entrada de alimentos no Iémen, que se encontra à beira da fome generalizada.

O enviado especial da ONU, Martin Griffiths, realizou conversações com ambas as partes nas últimas semanas, na esperança de impedir um ataque em força da coligação internacional a Hodeida. Griffiths tem insistido em que os beligerantes voltem a sentar-se à mesa das negociações para debaterem a paz, mas o Governo iemenita mantém que a "retirada incondicional" dos rebeldes de Hodeida, cidade que controlam desde 2014, é essencial para o reatamento das conversações, ao passo que os Huthis se recusam a entregar a cidade.

Três anos de guerra fizeram mais de 10.000 mortos, danificaram gravemente as infraestruturas do Iémen e destruíram o seu sistema de saúde. O país enfrenta agora a pior crise humanitária do mundo, com mais de 22,2 milhões de pessoas a precisarem de ajuda de emergência.