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“Era uma criança muito boa e gostava muito de mim.” Mãe de Osama bin Laden fala pela primeira vez sobre o filho

Em entrevista ao jornal “The Guardian”, Alia Ghanem recorda o seu primeiro filho como um rapaz tímido com uma brilhante carreira académica. Mas “as pessoas na universidade mudaram-no. Tornou-se um homem diferente”, lamenta. “No início, estávamos muito orgulhosos dele. Até o Governo saudita o tratava de uma forma muito nobre e respeitosa. E depois veio Osama, o mujahid [o combatente]”, comenta o irmão

“A minha vida foi muito difícil porque ele estava muito longe de mim. Era uma criança muito boa e gostava muito de mim”, diz Alia Ghanem sobre Osama bin Laden em entrevista ao jornal inglês “The Guardian”. É a primeira vez que fala sobre o filho, líder da Al-Qaeda, quase 17 anos após os ataques de 11 de setembro.

Durante anos, Ghanem recusou falar sobre Osama, tal como o resto da família, que continua a ser muito influente na sociedade saudita. Agora, a nova liderança do país, encabeçada pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, concordou com o pedido do jornal para falar com os familiares de bin Laden.

A família vive numa mansão em Jeddah, a cidade saudita onde o clã bin Laden vive há gerações. Apesar de não haver um guarda no exterior da residência, os bin Laden continuam a ser os moradores mais conhecidos do bairro. E, como uma das famílias mais influentes da Arábia Saudita, os seus movimentos continuam a ser acompanhados de perto pelo regime.

“As pessoas na universidade mudaram-no. Tornou-se um homem diferente”

Sentada entre os meios-irmãos de Osama, Ghanem recorda o seu primeiro filho como um rapaz tímido com uma brilhante carreira académica. Mas foi precisamente na Universidade King Abdulaziz, onde estudou economia, que Osama foi radicalizado. “As pessoas na universidade mudaram-no. Tornou-se um homem diferente”, lamenta a mãe.

Osama conheceu Abdullah Azzam, um membro da Irmandade Muçulmana, que se tornou o seu conselheiro espiritual. “[Osama] era uma criança muito boa até conhecer algumas pessoas que lhe fizeram uma lavagem cerebral quando ele tinha 20 e poucos anos. Pode chamar-se àquilo um culto. Eles tinham dinheiro para a sua causa. Eu dizia-lhe sempre para se manter afastado deles e ele nunca admitia o que estava a fazer porque me amava muito”, acrescenta Ghanem.

“Nos primeiros tempos, toda a gente o respeitava”

O irmão Hassan comenta que “toda a gente que conheceu [Osama] nos primeiros tempos o respeitava”. “No início, estávamos muito orgulhosos dele. Até o Governo saudita o tratava de uma forma muito nobre e respeitosa. E depois veio Osama, o mujahid [o combatente]”.

Na entrevista, a família também comenta os progressos na sociedade saudita, destacando o levantamento da proibição da condução por mulheres e a abertura de alguns cinemas.

Desde os ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA, Osama bin Laden passou a ser o maior alvo norte-americano, tendo sido encontrado e morto num esconderijo no Paquistão a 2 de maio de 2011.