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Expresso

Internacional

Faculdade de Medicina em Tóquio baixava secretamente notas das candidatas femininas

O objetivo era o de limitar o número de mulheres médicas, no pressuposto de que muitas delas deixam a profissão quando têm filhos

Luís M. Faria

Jornalista

A Universidade de Medicina de Tóquio baixou secretamente durante anos os resultados dos exames de admissão das candidatas do sexo feminino. A revelação foi feita pelo jornal Yomiuri e confirmada por outros orgãos de informação, incluindo a televisão pública NHK.

Ao que parece, a manipulação dos resultados começou em 2011, quando o volume de candidatas atingiu os 38 por cento. O objetivo seria combater a falta de médicos que aflige o país, no pressuposto de que uma parte substancial das mulheres com cursos acabam por se confinar ao papel de esposas e mães.
A baixa artificial das notas chegava a atingir 10 por cento, e só foi descoberta devido a uma investigação entretanto lançado sobre as condições em que o antigo diretor da Universidade permitiu a admissão do filho de um alto funcionário.
A presidente da Associação de Médicas Japonesas, Yoshiko Maeda, comentou que "em vez de se preocuparem com as mulheres deixarem o trabalho", as autoridades "deviam criar um ambiente onde as mulheres possam continuar a trabalhar (...) um local de trabalho onde toda a gente possa dar o melhor das suas capacidades independentemente do sexo".
A discriminação das mulheres a muitos níveis, incluindo o salarial, é comum no Japão. Recentemente, um painel do Ministério da Saúde aconselhou que as condições laborais das mulheres fossem flexibilixadas no sentido de lhes permitir regressar ao trabalho depois de serem mães.