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Internacional

Comunidade internacional condena violência pós-eleitoral e apela à “moderação” no Zimbabwe

ZINYANGE AUNTONY/AFP/Getty Images

A violência já provocou a morte de três pessoas, assassinadas por tropas do exército. As Nações Unidas, o Reino Unido, a embaixada dos EUA em Harare e a Amnistia Internacional juntaram-se no apelo à contenção. A oposição contesta os resultados eleitorais, que deram a vitória ao partido no poder, com uma maioria de dois terços no Parlamento

A repressão do Governo no Zimbabwe na sequência das eleições de segunda-feira motivou pedidos internacionais de contenção, incluindo das Nações Unidas, do Reino Unido e da Amnistia Internacional. A violência já provocou a morte de três pessoas.

Os resultados parlamentares das primeiras eleições da era pós-Mugabe deram a vitória ao partido no poder ZANU-PF, com uma maioria de dois terços, mas a oposição acusa o partido de fraude eleitoral. O anúncio motivou protestos na capital Harare. O resultado da eleição presidencial ainda não foi declarado, mas o MDC insiste que o seu candidato Nelson Chamisa venceu o Presidente em funções Emmerson Mnangagwa.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou à moderação dos políticos no Zimbabwe, enquanto a ministra inglesa para África e para o Desenvolvimento Internacional, Harriett Baldwin, mostrou-se “profundamente preocupada” com a violência. Também a embaixada nos EUA na capital do país fez um apelo à “moderação”, acrescentando que o Zimbabwe tinha uma “oportunidade histórica” para um futuro melhor.

A Amnistia Internacional pediu ao Governo que abra uma investigação às ações do exército. Em comunicado de imprensa, o secretário-geral interino Colm Ó Cuanacháin afirmou que a “militarização” do resultado das eleições estava a “amordaçar a liberdade de expressão, associação e reunião”. “As pessoas devem ter o direito a protestar”, acrescentou.

A oposição “está a cometer um grande erro”, diz ministro

Já o ministro do Interior zimbabweano Obert Mpofu avisou que o Governo não tolerará os protestos. A oposição “está a testar a nossa determinação e acho que está a cometer um grande erro”, disse o governante. Por sua vez, um porta-voz do líder da oposição condenou o envio de soldados e a subsequente perda de vidas. “Os soldados são treinados para matar durante a guerra. Os civis são inimigos do Estado? Não há qualquer explicação para a brutalidade que vimos hoje”, lamentou.

Mais de cinco milhões de pessoas registaram-se para votar, tendo a taxa de participação rondado os 70%. Se um dos candidatos presidenciais não tiver mais de metade dos votos, será realizada uma segunda volta das eleições a 8 de setembro.